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quarta-feira, 24 de setembro de 2008

O piano era um "brinquedo"


Jorge Palma em Ponta Delgada

Desde os seis anos de idade que a música é parte integrante da sua vida e o piano era um simples brinquedo que lhe dava "gozo" tocar. Segundo Jorge Palma, o país tem óptimos músicos, mas "falta de letras". O que justifica, dizendo que "toda a gente" lhe está "sempre a telefonar" a pedir para escrever letras. "Em termos de músicos, cantores e excelentes intérpretes estamos no melhor, porque os putos que vêm da garagem são bons. Agora escrever letras é coisa dos quotas"- acentua, acrescentando ser ele próprio que continua a escrevê-las, tal como Sérgio Godinho, entre outros.

"Encosta-te a mim" e "Deixa-me rir" são alguns dos temas deste dinossauro da música portuguesa.
Jorge Palma nasceu a 4 de Junho de 1950 em Lisboa, cidade onde sempre viveu. Desde sempre se interessou pela música, a ponto de o piano ser um brinquedo que lhe dava "gozo" tocar. Esteve ainda "14 anos num colégio interno".
Em Setembro de 1973, recusando cumprir o serviço militar obrigatório, e, consequentemente, embarcar numa guerra para o Ultramar, partiu para a Dinamarca, com Gisela Branco, sua primeira mulher, onde lhe foi concedido asilo político. Na Dinamarca trabalhou como empregado num hotel e, ao mesmo tempo, compunha e escrevia letras, participando, por vezes, em programas de rádio onde apresentou composições suas e de outros intérpretes da música popular portuguesa.
Referindo-se à sua carreira, confessa que "não estava à espera" de tanto sucesso, nem de ter inclusivamente "perda de privacidade", algo que, salienta, "nunca" lhe tinha acontecido. "É uma carreira sólida, não é daquelas de um êxito aqui e outro ali. Agora já me chateia um bocado ir a uma esplanada, porque aparece sempre alguém a dizer que "é só uma fotografia, é só um autógrafo" e é uma chatice"- acentua, acrescentando que agora aos 58 anos é "giro".
Diz gostar de ouvir desde Jimmy Hendrixs até Carlos do Carmo, passando pelos Da Weasel, pois tem influências de "todo o lado".
Referindo-se à música em Portugal, afirma que o país tem óptimos músicos, mas "falta de letras". O que justifica, dizendo que "toda a gente" lhe está "sempre a telefonar" a pedir para escrever letras. "Em termos de músicos, cantores e excelentes interpretes estamos no melhor, porque os putos que vêm da garagem são bons. Agora escrever letras é coisa dos quotas"- acentua, acrescentando ser ele próprio que continua a escrevê-las e Sérgio Godinho, Fausto, Zé Mário Branco, Luís Represas, Vitorino e Carlos T, por exemplo. Escrever letras é "outra coisa", sublinha, lembrando tratar-se de algo que aprendeu com Ary dos Santos, sobretudo a "técnica". Para escrever, é necessário "ouvir muita música". Há que ler a "aprender, como se lê um livro". É bom ouvir músicos como Bob Dylan, Leonard Cohen, James Tyler, Neil Yong e por ai fora.
Levar a música portuguesa além fronteiras afirma ser uma questão de "marketing e é menos difícil do que já foi". Diz não estar a falar em termos de fado, pois sobretudo um fado "muito bem cantado, bem assumido e com arejamento é outra coisa".
O cantor aproveita para lembrar que, no fundo, faz músicas Men's Stream, o que a seu ver diz "tudo". Acrescenta ter influências desde Roling Stones até Jacques Brel, reconhecendo também não fazer nada de "particularmente interessante" para os japoneses, mas já tocou em Barcelona e em Paris, por exemplo. Na sua opinião, o mercado está "mais aberto", até para o Brasil onde planeia tocar ainda este ano. "E não é para os emigrantes, é para os brasileiros".
O mundo da música também funciona um pouco por "lobbies" e a única coisa que se pode fazer para alterar a situação é darmos o nosso "melhor". O resto, esclarece, compete aos 'managers', que devem ser competentes e devem "entender-se uns com os outros" nacionais e estrangeiros.
Referindo-se à nova lei que obriga as rádios a passarem uma quota de 20% de música portuguesa, o cantor argumenta que "nunca" acreditou nas leis que "obrigam" a algo. "Vamos a Espanha, ao Brasil e o público é que decide e não é pela lei que vamos lá"-defende, avançando que a rádio nacional tem feito muito e de um modo geral está a ter uma atitude "mais inteligente", como aliás "sempre" teve. Passam "Jorge Palma, Fausto, Sérgio Godinho e Da Weasel".
E vê-se nos espectáculos, a "vontade que as pessoas têm de nos ver ao vivo". A rádio tem um papel "fundamental" e a televisão também. A própria televisão está a "mudar" um bocado, pois está a dar um pouco mais de "espaço" à música portuguesa, ressalva, explicando estar a falar de "todos os músicos portugueses".
Os Açores, Jorge Palma avança serem "lindos, um paraíso"e aproveita ainda para revelar que o plano foi de ficar uns "dias" na Região. "Adoro as ilhas, adoro mesmo as ilhas todas".
De "Encosta-te a mim", o cantor explica que a canção esteve para ficar fora do álbum, porque era só "nhó, nhó, nhó". Chamou-lhe "Balada Celta", pois "não tinha letra, só havia uma ideia". Numa noite surgiu a letra e achou que, "se calhar", valia a pena. Conta ter falado com o seu produtor e com a esposa e perguntou-lhes se a canção não estava um bocadinho "azeiteira", ao que lhe responderam que não. "Gravei aquilo, com duas guitarras, cantei em cima e gostamos". Depois, a dúvida foi a introdução, ou não, da banda, pois segundo o cantor com a banda a canção ficaria tipo "Chapa 1". Trata-se de uma "balada, só que a letra está bonita"- admite, contrapondo que é algo "tão simples".
“Tem sido um ano muito violento em termos de estrada, a pontos de às vezes não saber onde estou a acordar”, enfatiza. O objectivo agora é “preparar” o concerto no Campo Pequeno, no mês de Novembro, que vai ser o “resumo” deste ano, que foi muito intenso. Mas antes, já há outros planeados. Projectos, afirma não ter "nenhum" de momento.
Da sua discografia fazem parte os álbuns "Com Uma Viagem na Palma da Mão" (1975); 'Té Já (1977); "Qualquer Coisa Pá Música" (1979); "Acto Contínuo" (1982); "Asas e Pena"s (1984) ; O Lado Errado da Noite (1985); Quarto Minguante (1986); Bairro do Amor (1989); "Só" (1991); Jorge Palma (2001); Vinte e Cinco Razões de Esperança (c/ Ilda Feteira) (2004); Norte (2004) e Voo Nocturno (2007) .
Em termos de singles, o cantor já editou "The Nine Billion Names of God" (1972); "O Pecado Capital) (c/ Fernando Girão) em 1975; "Viagem" (1975); Deixa-me Rir (1985); Dormia tão sossegada (2001); Valsa de um homem carente (2004) e Encosta-te a Mim (2007). Isto, sem falar no EP "A Última Canção" (1973).
Ao vivo, Jorge Palma gravou "Palma's Gang" no Johnny Guitar (1993) e "No Tempo dos Assassinos" no Teatro Villaret (2002) .
Foi ainda autor do livro de poemas "Na Terra dos Sonhos", com organização, introdução e discografia de João Carlos Calixto.


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Aos seis anos e ao mesmo tempo que aprendia a ler e a escrever, inicia os seus estudos de piano e tem a sua primeira audição dois anos depois, no Conservatório Nacional. Em 1963, Jorge Palma vence o segundo prémio do Concurso Internacional de Piano, integrado no Festival das Juventudes Musicais, em Palma de Maiorca com uma menção honrosa do Júri. Nos estudos cruza-se com o Liceu Camões e um Colégio Interno, nas Mouriscas, perto de Abrantes. Durante a adolescência e a par da formação erudita, começa a interessar-se pelo rock'n'roll e pela música popular americana e inglesa. É por esta altura que descobre a guitarra, recebendo influências de Bob Dylan, Led Zeppelin e Lou Reed.
Em 1967, integra o grupo Black Boys, tocando órgão. Experiência que dura cerca de seis meses, pois a 'oportuna' aparição de seu pai, num dos bares em que o grupo tocava, culmina no regresso a Lisboa e aos estudos secundários.
Enquanto estuda Engenharia na Faculdade de Ciências de Lisboa integra o grupo pop-rock Sindicato, como teclista e cantor, junto com Rão Kyao, Vítor Mamede, João Maló, Rui Cardoso e Ricardo Levi. Para além dos covers de bandas de rock americanas e inglesas (Led Zeppelin, Stephen Stills, Chicago, Blood Sweat and Tears, entre outros), o grupo compôs originais, em língua inglesa. Em 1971, gravaram o single "Smile", que tinha no lado B "SINDIblues Swede CATO'S Shoes", uma versão do standard de rock'n'roll "Blue Suede Shoes", de Carl Perkins. No mesmo ano, deram o seu último concerto na primeira edição do Festival Vilar de Mouros.
A estreia a solo de Jorge Palma acontece em 1972 com o single The Nine Billion Names of God, título de um conto de Arthur C. Clarke e inspirado também no livro "O Despertar dos Mágicos", de Louis Pauwels e Jacques Bergier. Por esta altura, inicia uma colaboração com José Carlos Ary dos Santos, que o ajuda a aperfeiçoar a escrita poética, e com quem estabelece uma relação aluno-mestre. Em 1972 e até Setembro de 1973, foram alturas de convívio intenso com Ary. Deste contacto resulta o EP "A Última Canção", com quatro composições de Jorge Palma, duas delas com letras de Ary.

Ainda em 1972, abandona os estudos de Engenharia. Em Setembro de 1973, recusa cumprir o serviço militar obrigatório e embarcar para a guerra do Ultramar. Vai para a Dinamarca, com Gisela Branco, sua primeira mulher, onde lhe é concedido asilo político. Lá trabalha como empregado num hotel e em simultâneo compõe e escreve letras, participando em programas de rádio onde apresenta composições suas e de outros intérpretes da Música Popular Portuguesa.
Regressa a Portugal após o 25 de Abril de 1974 e inicia uma carreira como orquestrador na indústria discográfica. Fez arranjos para fonogramas de Pedro Barroso, Paco Bandeira, Francisco Naia, Rui de Mascarenhas, Tonicha, João Vaz Lopes, Valério Silva, Adelaide Ferreira e para os agrupamentos Intróito e Maranata. Participou como instrumentista em gravações de José Barata Moura e José Jorge Letria, entre outros.
Em 1975, concorreu ao Festival RTP da Canção com "O Pecado Capital", uma composição sua em co-autoria com Pedro Osório, defendida em dueto com Fernando Girão, e "Viagem" de Nuno Nazareth Fernandes com letra sua. Ficaram classificadas em 7º e 8º lugares, respectivamente, num total de dez canções concorrentes.
Nesse ano gravou o seu primeiro LP, "Com uma Viagem na Palma da Mão", com canções compostas durante o exílio político em Copenhaga.
Depois da gravação do seu segundo trabalho discográfico - 'Té Já (1977) - e de uma digressão ao Brasil como músico de Paco Bandeira, partiu em viagem cantando e tocando guitarra nas ruas de várias cidades espanholas (1977) e francesas (1978-1981), nomeadamente Paris, interpretando repertório de compositores de música popular americana, como Bob Dylan, Crosby, Stills and Nash, Leonard Cohen, Neil Young, Simon & Garfunkel, entre outros.
Em 1979, vive alguns meses em Portugal, morando no Ninho das Águias, junto ao Castelo de S. Jorge, em Lisboa. Grava "Qualquer Coisa Pá Música", o seu terceiro álbum de originais, com membros do grupo acústico O Bando, seguindo-se uma série de actuações a solo e com o referido grupo.
No início da década de 1980, regressa a Paris com a sua segunda mulher, Graça Lami, voltando a Portugal em 1982 para gravar o álbum duplo "Acto Contínuo".
Vicente, o seu primeiro filho, nasce em 1983 e a ele dedica a música "Castor", do seu quinto álbum de originais - Asas e Penas (1984). Na sequência deste disco realiza diversos concertos em Portugal, França e Itália.
O ano seguinte é marcado pelo lançamento do seu sexto álbum de originais e um dos mais aclamados da sua carreira, "O Lado Errado da Noite". O single "Deixa-me Rir" tem enorme sucesso e ainda hoje funciona como uma espécie de imagem de marca e uma das mais requisitadas pelos fãs nos concertos. Por este álbum recebe o "Sete de Ouro", o "Troféu Nova Gente", definido, por alguns críticos, como "o lado certo de Jorge Palma" ou "Palma de Ouro", e realiza uma longa tournée por Portugal e Ilhas, tendo a sua primeira grande apresentação em Lisboa no espaço da Aula Magna da Universidade de Lisboa.
Em 1986, concluiu o Curso Geral de Piano no Conservatório Nacional e gravou o seu sétimo álbum de originais – "Quarto Minguante", marcado por problemas entre JP e editora. Os anos seguintes foram marcados pela frequência do antigo Curso Superior de Piano do Conservatório Nacional.
Em 1989, edita "Bairro do Amor", considerado como um dos álbuns do século da música portuguesa. Este trabalho marca a saída de JP da editora EMI- Valentim de Carvalho e a passagem para a PolyGram.
Compondo, escrevendo letras, fazendo arranjos e desempenhando a direcção musical nas gravações dos seus fonogramas, foi acompanhado por músicos com experiência em diversos domínios musicais, como o pop-rock, a musica popular portuguesa e a erudita e o jazz, dos quais se salientam Carlos Bechegas, Carlos Zíngaro, Edgar Caramelo, Guilherme Inês, Jorge Reis, Júlio Pereira, Rui Veloso, Zé Nabo, José Moz Carrapa, Zé da Ponte e Kalu, entre outros.
Durante a década de 1990 suspendeu a gravação de composições originais para se dedicar à reinterpretação da sua obra, participando regularmente noutros agrupamentos, realizando gravações para intérpretes próximos de si, compondo música para teatro, bem como preconizando inúmeros concertos pelo país, que se traduziram num amento significativo da sua popularidade, sobretudo junto do público mais jovem.
Em 1991, edita "Só", um álbum intimista, no qual revisita temas antigos, a solo e ao piano. Este trabalho foi premiado com um "Sete de Ouro" e foi considerado um dos álbuns do século XX.
O álbum "Ao Vivo" no Johnny Guitar, de 1993, surge na sequência da formação do grupo Palma's Gang, que reuniu os músicos Kalu e Zé Pedro (Xutos e Pontapés) e Flak e Alex Rádio Macau, e que realizou alguns concertos pelo país. Esta é uma segunda revisita à sua obra, mas desta vez num formato eléctrico, já que se tratava de um projecto rock. Participa, também, no álbum Sopa, dos Censurados, assinando a letra e emprestando a voz a "Estou Agarrado a Ti".
O ano seguinte fica marcado por vários concertos, a solo e com o Palma's Gang, destacando-se os concertos do S. Luís, mais tarde transmitidos pela RTP.
Durante o ano de 1995 continua a realizar concertos por todo o país, passando também pelo Casino Estoril, num formato solo, e com produção musical de Pedro Osório. Integrou, como pianista convidado, o Unplugged dos Xutos e Pontapés, na Antena 3, e foi letrista, compositor e músico em Espanta Espíritos, um álbum em que participaram vários nomes da MPP e que foi produzido por Manuel Faria, um ex-Trovante. Ainda neste ano, nasce o seu segundo filho- Francisco.
Integrou o agrupamento Rio Grande, em 1996, formado por Tim (Xutos & Pontapés), João Gil Ala dos Namorados, Rui Veloso e Vitorino, que alcançou uma considerável popularidade, gravando dois CD's (1996 e 1998). Nesse mesmo ano, musicou poemas de Regina Guimarães, integrados na peça de Bertolt Brecht "Lux in Tenebris" - levada à cena pela companhia de teatro de Braga - e colaborou com Sérgio Godinho, João Peste, Rui Reininho e Al Berto no espectáculo "Filhos de Rimbaud", apresentado no Coliseu dos Recreios de Lisboa. Foi director musical do espectáculo teatral "Aos que Nasceram Depois de Nós", baseado em textos de Bertolt Brecht, com música de Kurt Weill, Hans Eisler, do próprio dramaturgo e com uma composição de JP ("Do Pobre B.B."). Participa, também, no álbum Encontros - Canções de João Lóio, daquele ex-membro do GAC-Vozes na Luta, e vê ser recriado "Frágil" (de Bairro do Amor, 1989) por André Sardet, no seu álbum de estreia, Imagens. É, ainda, em 1996, que a EMI-Valentim de Carvalho lança a compilação Deixa-me Rir, integrada na colecção Caravela, contendo músicas dos álbuns "Asas e Penas", "O Lado Errado da Noite" e "Quarto Minguante".
No ano seguinte, para além dos habituais concertos, participa nalguns trabalhos, como em Todo Este Céu, de Né Ladeiras, uma revisita a temas de Fausto Bordalo Dias, e Voz e Guitarra, uma produção de Manuel Pedro Felgueiras (Ala dos Namorados), com a participação de inúmeros artistas, que escolheram e recriaram temas apenas com voz e guitarra. Sai também o segundo álbum dos Rio Grande - Dia de Concerto - ao vivo no Coliseu dos Recreios. Nele se estreia o original de Jorge Palma "Quem És Tu de Novo?", mais tarde incluído em Jorge Palma (2001).
Os anos finais da década de 1990 são marcados por muitos concertos e trabalhos. Destacam-se os concertos das queimas das fitas, "Festival Outono em Lisboa", vários durante a Expo, em nome próprio, em solidariedade para com a Guiné Bissau e como convidado do espectáculo "As Vozes Búlgaras", de Amélia Muge. Participou, também, no álbum de tributo aos Xutos e Pontapés – XX Anos XX Bandas - recriando "Nesta Cidade", acompanhado pela guitarra de Flak, e no álbum Tatuagem, de Mafalda Veiga, no dueto "Tatuagens", que veio a ser single do disco. Visitou também Timor Leste na companhia de Fernando Tordo.
Em 2000, continua a realizar concertos por todo o país. A Universal lança a colectânea Deixa-me Rir, que reúne canções dos álbuns Bairro do Amor e Só, e que se assume como um êxito comercial (mais de trinta mil cópias vendidas), mantendo-se no top nacional de vendas durante várias semanas. O enorme sucesso deste álbum levou a que o lançamento do novo álbum de originais, entretanto gravado, fosse sendo sucessivamente adiado, acabando por ver a luz do dia já em 2001. Ainda em 2000, JP participa no álbum de tributo a Rui Veloso, juntamente com Flak, interpretando "Afurada", para além de ter emprestado a sua voz a "Laura", canção pertencente à banda sonora do tele-filme da SIC, "A Noiva", que trata o tema da Guerra Colonial, precisamente aquela de que fugira vinte e sete anos antes.
Em 2001, sai, então, o álbum Jorge Palma, muito bem recebido pela crítica e ainda mais pelo público, ávido de novas músicas, mais de doze anos decorridos sobre o lançamento do seu último disco de originais. Logo na primeira semana, o disco chegou ao terceiro lugar do top nacional e foi disco de prata. Dois meses antes, fora reeditado Acto Contínuo, cuja versão não existia, ainda, em formato CD. Nesse ano abriu o terceiro dia do Festival Sudoeste e tocou nos Coliseus de Lisboa e Porto, em Novembro, entre outros concertos. Escreveu um tema para Mau Feitio, um álbum de Paulo Gonzo, deu a voz a "Diz-me Tudo", música de abertura da telenovela portuguesa da SIC "Ganância" e emprestou o piano a "Fome (Nesse Sempre)", tema de estreia dos Toranja.

Em 2002, recebeu o prémio José Afonso pelo seu disco Jorge Palma e foi nomeado para os Globos de Ouro, promovidos pela SIC, nas categorias de melhor intérprete individual e de melhor música ("Dormia Tão Sossegada"). Deu três concertos em Junho, no Teatro Villaret, acompanhado pelo seu filho Vicente, que foram editados num CD duplo, lançado em Setembro, com o título No Tempo dos Assassinos - Teatro Villaret - Junho de 2002. Contém trinta e três temas da sua vasta obra.

Ainda em 2002, os Cabeças no Ar - na prática, os Rio Grande sem Vitorino - lançam um disco e Qualquer Coisa Pá Música é reeditado.

Em 2003 e 2004, a agenda preenchida mantém-se, com inúmeros concertos pelo país, incluindo participações em concertos de Sérgio Godinho. Prepara, no entanto, um trabalho gravado em sua própria casa em que alia a sua interpretação ao piano à voz de Ilda Fèteira, numa incursão pela poesia portuguesa contemporânea. Esta "obra de culto" foi editada a expensas próprias e apresentada na Associação 25 de Abril.
Em Agosto de 2004, JP entrou para estúdio de Mário Barreiros, no Porto, para gravar mais um álbum de originais, que contou com participações especiais de muitos músicos portugueses com quem JP ainda não tinha trabalhado até então. O disco teve por título "Norte".

Raquel Moreira

Public in Terra Nostra, Setembro de 2008.

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