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quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Com a verdade chegar ao "coração"


DAZKARIEH


O objectivo do grupo é ser “verdadeiro” e fazer música de que “gosta”, tentando assim chegar ao “coração” de quem a ouve. As letras, sublinha, também reflectem esta ideia, falando essencialmente de assuntos da “alma” e outros que estão presentes na “natureza humana” desde sempre, como o “amor ou o desconhecido.
Que as pessoas passem um “bom” momento com a banda e que a sua música lhes transmita “paz e força para enfrentarem os problemas” do dia-a-dia, é a mensagem dos Dazkarieh, que, segundo Vasco Ribeiro, não querem “transmitir nenhuma mensagem política ou alertar para tudo o que está mal”, assuntos que já “bombardeiam muito” as pessoas. Na sua opinião, as grandes rádios “não” cumprem o seu papel na divulgação da música portuguesa e o país tem “muito bons músicos e muito criativos”.

“Estrela de cinco pontas”; “Vitorina”; “Senhora da Azenha” e “Olhos de Maré” são alguns dos êxitos dos Dazkarieh, que surgiram na cena musical em 1999 e que nos encantam com as suas melodias, tendo já três álbuns editados e cerca de 300 concertos no seu currículo, espalhados por todo o mundo.
Vasco Ribeiro Casais começa por contar que o grupo nasceu em 1999, quando ele próprio e dois amigos, decidiram transformar um grupo que já tinham em algo “mais profissional”. A ideia original, salienta, era “fazer música com instrumentos acústicos”, o que depressa levou à exploração de instrumentos de origem tradicional, “portugueses e não só”. Pelo grupo foram passando vários músicos que contribuíram para a identidade sonora do projecto, tendo este sofrido duas grandes “metamorfoses”. A primeira em 2003, relata, com a preparação do segundo disco e, a segunda em 2005, que deu origem à formação actual.
Os Dazkarieh funcionam como quarteto e são compostos por Vasco Ribeiro Casais na Nyckelharpa, Bouzouki, Gaitas-de-foles e Flauta; Joana Negrão como vocalista, Gaita-de-foles, Adufe e Pandeireta; Luís Peixoto no Bouzouki, Bandolim, Cavaquinho e Sanfona; e; André Silva na Bateria.
Falando de si próprio, Vasco conta que tinha cerca de 17 anos quando decidiu enveredar pelo mundo da música. “Já tocava em algumas bandas e vi que queria fazer disso a minha vida”- esclarece, avançando que entrou para o Conservatório Nacional de Lisboa, onde estudou “guitarra clássica”.
O músico afirma tratar-se de um processo de “luta” que ainda hoje continua, salienta, pois o importante é “aprender a tocar o melhor possível, como funcionam as ‘coisas’ na indústria musical, conhecer pessoas e desenvolver e divulgar trabalho”. E logo que se tenha “objectivos”, sublinha, o processo é “semelhante” em todas as áreas.
Referindo-se ao nome do grupo, Vasco explica que estiveram para “inventar” um, pois pretendiam utilizar uma palavra “que não existisse” e que ficasse relacionada “apenas” com a banda e a sua música. “Da mesma maneira, que alguém teve de inventar a palavra céu ou estrela, criámos uma palavra que, desde a sua criação, ganhou um sentido mágico”- acentua.
Em termos de discografia, os Dazkarieh já editaram 3 álbuns, tendo o segundo e o terceiro edições “especiais” em capa de madeira e de cortiça, respectivamente. O grupo tem ainda uma “compilação” de algumas músicas já editadas e de 3 temas “inéditos”, num disco que acompanhou a edição portuguesa do livro “Eldest” (de Christopher Paolini) e que vendeu “33000 exemplares”, fazendo-os chegar a “outro” tipo de público.
Quanto a concertos, revela, já lá vão cerca de “300”, tendo tocado no México, Canadá, República Checa, Suíça, Áustria, Alemanha, Espanha, Cabo-Verde, Polónia, Estónia e, claro, em Portugal.
De momento, a banda encontra-se a preparar o seu “quarto” trabalho de estúdio que será editado no próximo ano. Para 2009, o grupo tem ainda agendadas “duas digressões” na Alemanha. Uma em Maio (15 concertos) e a outra em Outubro (10 concertos).
Os Dazkarieh consideram-se um “grupo português que faz música”. O objectivo é serem “verdadeiros” e fazerem música de que “gostem”, tentando assim chegar ao “coração” de quem a ouve. As letras, sublinha, também reflectem esta ideia, falando essencialmente de assuntos da “alma”, de assuntos que estão presentes na “natureza humana” desde sempre como o “amor ou o desconhecido”, entre outros.
Vasco aproveita também para salientar que “todos” os membros do grupo apreciam música “diferente e ouvem muita música”.
“As influências da banda passam um pouco por tudo, desde o clássico e jazz ao rock ou metal, electrónica e experimental, passando pela música tradicional um pouco de todo o mundo”- acentua, acrescentando que os Dazkarieh têm utilizado temas da “tradição portuguesa”, que trabalham à sua maneira.
O objectivo principal dos Dazkarieh é que as pessoas passem um “bom” momento com a banda e que a sua música lhes transmita “paz e força para enfrentarem os problemas” do dia-a-dia. “Não queremos transmitir nenhuma mensagem política ou alertar para tudo o que está mal, as pessoas já são muito bombardeadas com esses assuntos”- esclarece.
“Deixamos a nossa música falar por nós e esperamos que o efeito seja positivo”-acentua.
Abordando a situação da música em Portugal, actualmente, o músico começa por dizer que esta é “muito boa”, pois existem “muitos grupos a fazer boa música” em todas as áreas. E com a internet e com a revolução informática, admite, já não é preciso estar “dependente” de nenhuma editora para gravar um disco e para conseguir chegar a algumas pessoas. “Quanto mais e melhor música se fizer, melhor” é. E Portugal tem músicos “muito bons e muito criativos”.
Facto que o músico lamenta, é que as grandes rádios “não” cumpram o seu papel na divulgação da música portuguesa, mas por outro lado afirma não ser este o objectivo.
“Quantas vezes ouvimos um slogan tipo «rádio nº 1 em divulgação de música portuguesa? »”- questiona-se.
Mas, “felizmente”, existem rádios “locais” que têm mais “liberdade” para outro tipo de música e a internet, onde a pessoa “ouve o que quer”.
O músico aproveita ainda para dizer que, com a internet, as vendas dos cds têm “diminuído” e a indústria musical está a “mudar”, o que leva as editoras a “mudarem de política e a uma adaptação às novas tecnologias”. Afirma também não ter “qualquer” problema com os downloads, porque, argumenta, “as pessoas que gostam mesmo da música, acabam por comprar os discos”. Mas na internet, a qualidade do som deveria ser “cada vez melhor” e, mesmo assim as pessoas habituaram-se a ouvir música em mp3, onde a qualidade é “muito pior”, do que num cd. “Existem formatos digitais muito superiores ao cd, porque não ouvir nesses formatos?”- interroga-se.
Chegar ao “maior número de pessoas e continuar a fazer o que gostam”, é o projecto dos Dazkarieh, que estão a acabar o seu “novo” disco, a apresentar a todo o mundo em 2009.


Raquel Moreira

Public in Terra Nostra, Outubro de 2008.

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