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sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Informar e "formar" os jovens!


Associação Jovem Açores

Estabelecer e fortalecer a relação entre os jovens; a prevenção primária e todos os comportamentos de risco lícitos e ilícitos, tudo o que prejudique o crescimento das crianças, adolescentes e jovens nas suas componentes físicas e intelectuais; a promoção da cidadania e; o respeitar as diferenças independentemente das origens sociais, étnicas e religiosas, são os objectivos da Associação Jovem Açores (AJA). Segundo Durval Santos, presidente da AJA, a concretização dos objectivos será alcançada por jovens de toda a Região, o que considera a sua “maior alegria”.

Os jovens estão cada vez mais expostos a toda uma série de perigos, como o alcoolismo ou a toxicodependência, vícios que lhes podem levar por caminhos dos quais se arrependem mais tarde, em alturas em que já é muito difícil sair impune ou sem sequelas. A AJA foi fundada em Agosto do corrente ano e pretende informar e formar os jovens para que estes tenham um futuro saudável e condigno, isto promovendo também a cidadania.
Durval Santos, presidente da Associação Jovem Açores (AJA), começa por contar que a Casa do Povo de Santa Barbara está a conceber um programa de âmbito regional, designado de Programa de Informação e Apoio à Prevenção Primária (PIAP), que tem como objectivo “gerar uma dinâmica própria junto de crianças, adolescentes e jovens”. Esta dinâmica levou à necessidade de se criar uma associação juvenil vocacionada para a “prevenção primária”, a AJA.
Os seus objectivos, salienta, inserem-se em quatro “chaves” principais, sendo o seu mote o facto de estar feita “de jovens para jovens”. A AJA está virada para a juventude açoriana e pretende “estabelecer e fortalecer a relação inter-par, entre os jovens”. A prevenção primária e todos os comportamentos de risco lícitos e ilícitos são também uma área de actuação da associação, que visa eliminar “tudo” o que prejudique o crescimento das crianças, adolescentes e jovens, tanto a nível “físico, como intelectual”. A promoção da cidadania é outro aspecto a considerar neste cenário, através da “responsabilização” dos jovens para a participação “cívica” nas suas comunidades. Isto, sabendo que têm “direitos e deveres” a cumprir sublinha. A questão multicultural é também essencial, pois ensina os jovens a respeitarem as “diferenças”, independentemente da “origem social, étnica, religiosa” do outro.
Esta associação juvenil regional “sem fins lucrativos” estende-se do Corvo a Santa Maria e, salienta, não professa qualquer “ideologia” política, religiosa ou partidária. “Qualquer adolescente ou jovem poderá participar na AJA, independentemente das suas convicções ou ideologias. É um espaço que respeita e onde se pretende respeitar todos os pensares e vivencias dos seus intervenientes”- acentua.
Referindo-se a como pretende concretizar os seus objectivos, Durval Santos explica ser “com os jovens”, lembrando que Álamo Meneses, secretário da educação e ciência, referiu recentemente e “muito bem” na sua opinião, que os movimentos de jovens que existem na Região, “não são conduzidos por jovens”.
Mas no caso da AJA, enfatiza, a concretização dos objectivos que se pretende será alcançada pelas mãos de jovens açorianos de todas as ilhas, o que constitui a “maior alegria” do seu presidente. Criar “assimetrias” de colaboração de forma a “minimizar riscos” concretamente e em especial nas crianças e jovens e uma “plataforma de colaboração e de união de esforços” entre o governo regional, autarquias, pse’s e demais organismos juvenis, desportivos e culturais, são as estratégias da associação para que esta possa alcançar os objectivos a que se propõe. Sim, pois importa “contribuir para o desenvolvimento integral da juventude açoriana”. De momento, evidencia, a AJA conta com o apoio do governo regional, concretamente da Direcção Regional da Juventude.
Quanto ao investimento necessário, Durval Santos explica que até agora todas as actividades desenvolvidas pela AJA, foram financiadas “única e exclusivamente” com o seu próprio orçamento, com a colaboração da Casa do Povo de Santa Bárbara. Isto, pois, justifica, “a AJA não tem ainda suporte financeiro, nem tinha estatutos criados, ou corpos eleitos”. De qualquer modo, como já referiu, a associação tem já a garantia de um apoio do Governo Regional, face aos projectos que pretende implementar na Região. “O PIAP foi inteiramente financiado pelo governo regional e será desenvolvido até ao final do ano, encontrando-se de momento em 47 mil euros”- ressalva, acrescentando haver já algum “interesse” por parte de câmaras municipais da Região em apoiar a AJA.
Um bom exemplo é a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, que apesar de “ainda” não lhe ter sido solicitado qualquer apoio, afirma estar “receptiva” à questão das dependências que, reconhece, tem causado alguns “danos” aos jovens. Mas até agora e em termos oficiais, sublinha, a única reunião oficial que teve foi com Bruno Pacheco, Director da Juventude, que salienta ter oferecido “toda a colaboração” a nível futuro e que irá “apostar” nos projectos que a AJA pretende desenvolver, indo assim de encontro ao PIAP.
Quanto ao facto da associação se estender a todas as ilhas, o presidente lembra que em Março, Ponta Delgada foi palco de um curso de “Vereadores Sociais” através do PIAP, evento que contou com a representação de jovens de “todas” as ilhas. Os “jovens que participaram serão os pontos de referência e de ligação para com a direcção da AJA”. O presidente aproveita ainda para dizer que a AJA se estende do Corvo a Santa Maria não só numa questão de “papel ou estatutária”, mas em “concreto”. Isto, pois dispõe de “vários” representantes nas ilhas açorianas e de possíveis “colaboradores”, além de pessoas que estão interessadas em tornarem-se “associadas”.
Fazendo um balanço dos primeiros tempos de vida da associação, afirma ser “muito positivo”, avançando que a sua maior “satisfação” é saber que no dia do lançamento da AJA, as várias crianças, adolescentes e jovens de algumas zonas sociais e habitacionais da ilha Terceira transmitiram de facto o seu “agrado, carinho e alegria”, em terem participado. Inclusive, salienta, “já houve pais que me abordaram na rua e por telefone satisfeitos por os seus filhos terem aderido ao projecto da AJA e, avançaram estar dispostos a colaborar futuramente em futuras iniciativas, bem como em inscreverem os seus filhos em mais actividades que pretendamos fazer”. Por isso, “a mensagem chegou”- constata, avançando que a principal mensagem são os objectivos a que a AJA se propõe. Objectivos estes que, sublinha, não são tratados apenas numa componente” lúdica ou de ocupação” de hábitos de vida saudável, mas acima de tudo numa componente “educativa e pedagógica”.
O presidente da AJA aproveita ainda para salientar que “todas” as actividades desenvolvidas e dinâmicas concebidas auferem um cariz “educativo e pedagógico”. As crianças, adolescentes e jovens, por sua vez, “reviram-se” nos objectivos propostos e conseguiram concretizar os objectivos da associação, que pretendia que estes ficassem “conscientes” dos riscos face ao alcoolismo, à questão do comportamento de risco perante a questão rodoviária e às doenças sexualmente transmissíveis.
“Não se tratou simplesmente de entreter os jovens durante uma tarde”-salientou, acrescentando haver, porém, uma componente “lúdica”.
Segundo Durval Santos, os projectos da AJA irão pautar-se sempre pela “excelência e qualidade”, em relação ao que se pretende dar aos seus participantes e “alicerçar” em questões de fundo e de qualidade da área educativa e pedagógica, que se pretende criar junto do nosso público-alvo.
Tanto o “Prevenir em colecção” como os Castelo de Risco, explica serem programas de um ano, da tutoria da Associação Nacional Arisco. Trata-se de uma associação nacional de “promoção da saúde” reconhecida a nível nacional pela “qualidade e excelência” dos seus projectos, que têm pessoas ligadas ao Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT) e com a qual a AJA irá estabelecer uma cooperação. O “Prevenir em colecção” avança ser um programa direccionado para os jardins-de-infância e primeiro ciclo.
“Muitas pessoas tem a noção de que a prevenção primária deve começar na adolescência, mas deve começar na infância”- evidencia, acrescentando que estes programas serão “concebidos” e realizados pelos professores dentro da sala de aula, com orientação pedagógica e técnica das pessoas associadas à AJA. No “Prevenir em colecção”, cada aluno irá dispor de uma caderneta e será chamado a desempenhar certas tarefas, que se inserem no seu espaço “familiar, comunitário e pessoal, a nível do enriquecimento de competências”. Essas competências serão premiadas de uma forma muito “lúdica, dinâmica e criativa e atractiva, pois cada aluno é premiado com a oferta de autocolantes”- justifica, lembrando que “os miúdos gostam muito de coleccionar” e à medida que passam as diversas fases terão a possibilidade de colar esses cromos na sua caderneta.
O “Castelos de Risco” é direccionado essencialmente a jovens do ensino secundário e visa a “promoção dos desportos de out-door”, que não se limitam aos desportos radicais como a escalada ou o rapel. Existindo o factor risco e a adrenalina, o objectivo é o jovem conseguir substituir o “alcoolismo, pela adrenalina. É esta a grande mensagem educativa”. No culminar dos “Castelos de Risco”, realizado junto a uma grande fortaleza ou castelo, serão convidados todas as famílias, professores e a comunidade educativa a participar nesta “grande aventura”.
De momento, o presidente salienta ter já uma escola “receptiva” à abertura destes dois programas, avançando que “se calhar grande parte das escolas estão sempre receptivas a este tipo de projecto”, mas no início tudo tem de ser feito de forma “gradual e consistente”. Isto, de forma a ver quais os locais onde este projecto será mais “útil” e também por uma questão de “rentabilização de recursos técnicos, pessoais e financeiros”. O projecto será lançado com uma escola secundária da Região, que será também financiada pela Direcção Regional da Juventude. O Teenex visa a “junção dos jovens em regime residencial durante quatro noites e cinco dias” e foi adaptado para Portugal, como sendo o Jovem-a-jovem. O objectivo deste programa de bastante “sucesso” a nível nacional, é “informar e formar os adolescentes face a comportamentos de risco”.
A Carta Nacional de Prevenção Primária será o documento “legislador das linhas de orientação da prevenção primária”, em Portugal. Saber em que ponto estamos, quais as necessidades da população a nível futuro (de forma a poder orientar todos os organismos e instituições que estão vocacionadas para esta área e que também são um documento de “referencia e apoio para o governo”), para “minimizar os riscos” junto dos agentes associados a este tipo de actividades, é o que se pretende. Durval Santos afirma ainda ser com “muita alegria” que refere que a AJA irá estar presente na elaboração desta carta, fazendo chegar “em viva voz o nosso sentido da insularidade, de Região e as preocupações e anseios dos jovens açorianos”.
Em termos de projectos, o presidente avança que a AJA se define essencialmente por “agir (dai aja), intervir, dinamizar” e acima de tudo como diz o povo, e muito bem, “haja saúde”, é ista a mensagem a transmitir. Isto, esclarece, indo de encontro aos projectos que pretendem desenvolver, como o “Prevenir em colecção”, os “Castelos de Risco” e o programa inglês Teenex, uma adaptação “jovem a jovem”. Além disso, o presidente revela que irão participar na “elaboração da capa nacional da Prevenção Primária”, no próximo mês de Outubro, pois foram convidados para representar a Região.

Raquel Moreira
Public in Agosto de 2008.

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