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segunda-feira, 26 de maio de 2008

É preciso saber escolher!

I Forúm das Profissões

Escolher qual a profissão a seguir é, a certa altura, a decisão mais importante que os jovens têm de tomar. Para que esta escolha seja bem feita, é fundamental que estes estejam devidamente informados sobre o leque de cursos disponíveis e as suas saídas profissionais e o Forúm das Profissões veio dar resposta a estas questões.
Rui Bettencourt salienta que, antes, o ensino técnicoprofissional não era tão bem visto, mas hoje "isso já não acontece". Por sua vez, Rui Veríssimo afirma que o melhor que fez foi tirar um curso técnicoprofissional.

A determinada altura da vida é necessário saber qual o caminho que se quer escolher a nível profissional. As escolhas são muitas, mas o curso é um só, por isso, há que fazê-lo com muita reflexão. O Fórum das Profissões apresenta um vasto leque de cursos, para ajudar os jovens na sua decisão. Uma iniciativa governamental que pretende constituir uma mostra de todos os cursos que vão abrir no próximo ano lectivo na Região e promovida sob o lema "Acredita…Escolhe…Projecta o teu futuro" e que contou com o testemunho de cinco açorianos campeões regionais, nacionais e mundiais de profissões.
Na sessão de Abertura deste fórum, Rui Bettencourt, director regional do Trabalho e Qualificação Profissional, salientou a existência de uma geração de açorianos que se interessa "cada vez mais" pelas profissões, matéria pela qual a Região foi já várias vezes distinguida.
Durante a mostra, que o executivo açoriano pretende realizar anualmente, os jovens ficam também a conhecer novas propostas formativas para o próximo ano lectivo, caso dos cursos de técnico de energias renováveis, de estações de tratamento de águas residuais (ETAR) e organização de eventos no turismo, referiu.
"Mostrar a oferta formativa através de um panfleto é fácil, mas não atrai o jovem", salientou o director regional, justificando que a iniciativa pretende "despertar a vocação e o interesse por profissões que, por vezes, os estudantes nem dão conta que existem".
"Sentimos que há um desejo enorme dos jovens açorianos conhecerem as suas oportunidades, saberem quais são os cursos que vão abrir, a que profissões levam esses cursos, qual a sua empregabilidade, o seu profissionalismo. Por isso, depois de termos estabilizado os cursos de formação nas várias escolas profissionais e regulares, que também têm curso de formação e sentimos ser necessário avançar para um acompanhamento dos jovens, para as suas saídas profissionais e para as suas oportunidades"- sublinha, acrescentando que este Forúm é, também, um pólo de "reflexão" para professores, formadores, escolas profissionais e universitários, que tem como objectivo "debater a evolução do ensino profissional nos Açores e trazer mais-valias" à sua dinamização, sendo apresentado um leque de “mais de 200 cursos”.
Rui Bettencourt realçou que este encontro pretende levar a jovens a interessarem-se por outras oportunidades profissionais, num momento de "viragem de uma década de investimento no ensino profissional" e, em vias de outra, de aposta na "valorização das profissões", considerou, destacando que "por cada três mil jovens que chegam por ano ao mundo do trabalho cerca de 1.500 são oriundos do ensino profissional".
Para Rui Bettencourt, a aposta do governo regional tem de assentar numa escolha "consciente" dos jovens, no sentido de descobrirem a sua vocação para as profissões, pelo que foi apresentado um spot publicitário, que passará nas rádios e televisão.
À margem do evento, Rui Bettencourt avançou que os objectivos são "dar uma resposta àquilo que os jovens têm como perspectivas e como preocupação, da profissão que terão no futuro; mostrar todas as saídas profissionais, já que há mais de duzentos cursos a iniciar em Setembro e, por isso, trazer todos os jovens que estejam disponíveis a interessarem-se por esta questão". Avança ainda esperar que o Fórum seja visitado por 4000 jovens, salientando que existem, certamente, "muitos jovens que irão frequentar este Fórum, em todos os Açores, visto que o evento se estende à Terceira e ao Pico.
Fazendo um balanço dos anos anteriores, afirma ser "muito positivo", recordando terem taxas "muito altas". Nesta questão, estamos "estabilizados", ressalva, lembrando que o desafio dos próximos anos é "fazer com que todos os jovens conheçam todas as oportunidades que têm ao seu dispor". Diz que os jovens estão "muito entusiasmados", reconhecendo ter ficado "espantado, com a adesão excepcional" que tem havido das escolas e dos alunos.
Questionado quanto à noção que havia há uns tempos atrás, de que o ensino técnicoprofissional seria menos 'valioso' do que o universitário, salienta que, hoje em dia, isso "já não acontece", pois o ensino profissional tem equivalência ao ensino regular e tem algo a mais, um "preciosismo" que se adquire nestes cursos.
Rui Veríssimo, ex aluno de Técnico de Redes e Aplicações Informáticas (TRAI) da Escola Profissional das Capelas e vencedor do Concurso Nacional de Profissões de há cinco anos atrás, afirma ser "com muito orgulho" que conta a "aventura" que foi a sua formação profissional, salientando que se fosse agora aluno, se proporcionaria a "melhor" escolha.
"Seria o melhor para mim tirar um curso técnicoprofissional, como provavelmente muitos de vós sentem hoje. Tenho que reconhecer que foi uma decisão complicada e até polémica"- sublinha, aproveitando a ocasião para fazer uma critica aberta à sociedade classificando-a como sendo "um pouco ignorante da realidade". Acrescenta também que esta sempre "negligenciou" por uma questão profissional, sempre colocou "restrições" aos formandos, "olhando com 'um pé atrás' para os cursos técnicoprofissionais". Pressões sócias que considera "injustas" para com os jovens, e que, diz, "não ajudam, não esclarecem".
"De facto, a falta de informação é um obstáculo. É não, era. A prova está à vista com a realização deste Forúm, com as diversas publicações informativas dos cursos, com a divulgação que se faz hoje dos diferentes cursos que o jovem pode escolher".
Quando iniciou o curso, relata, ainda aguardava os resultados do curso que tinha feito no ensino superior. O seu principal objectivo era esse, "entrar na Universidade". Passado cerca de um mês, os resultados saíram e foi colocado na Universidade dos Açores, mas bastou esse mês de formação profissional para a sua maneira de pensar "mudar radicalmente".
"Bastou um mês para ter a certeza que estava local certo, de que este seria o meu percurso. Mantive-me no curso profissional, onde todos os dias aprendi coisas novas, onde todos os dias manuseava ferramentas de trabalho, onde todos os dia aprendia a lidar no ambiente empresarial, onde todos os dias me faziam sentir responsável pelo meu ofício e onde me criticavam pelos meus maus desempenhos, mas valorizavam-me pelos bons. Nunca no meu percurso me arrependi da minha opção"- explica.
Quando surgiu a hipótese dos Açores estarem presente no Concurso Mundial de Profissões, na Suíça, na categoria de Web Design pensou "esta viagem tem de ser minha", mas após ganhar o concurso regional a sua perspectiva alterou-se. Iria representar os Açores e Portugal numa competição mundial, uma responsabilidade "enorme". O certo é que se preparei "o melhor possível" com a exaustiva colaboração dos meus colaboradores e terminada a prova teve a certeza que o seu objectivo estava cumprido. "Não iria envergonhar o meu país e a minha terra, a minha bandeira. Quando entrei para a cerimónia de encerramento não tinha a mínima ambição, nem sequer o sonho de uma medalha. Acontece que, ao mesmo tempo que se entrava no recinto eram divulgados os resultados para a imprensa internacional. O telefone não parava de tocar com família e amigos a congratularem-me por uma medalha. Mas qual medalha? A cerimónia estava a começar, não seria possível. A partir daquela altura, tremia como 'varas verdes', suava por todos os poros. Nunca na vida estive tão nervoso. Ainda por cima, o Web Design era a última categoria a ser anunciada"- relata.
"Chegou a altura e confirmou-se". Portugal ganhara a terceira medalha de bronze do dia e ela estava ao peito de um açoriano. Foi o que considera "a melhor prestação de sempre do nosso país, e, sem dúvida, um momento único e inesquecível".
Aquando do regresso aos Açores e a conclusão do curso começou imediatamente a trabalhar por conta própria, "apesar de convites de empresas da Região e do continente". Nessa altura, afirma, valorizou ainda mais o que aprendeu no curso, estando"realmente" preparado para o mundo empresarial, "só necessitei de especialidade". Hoje trabalha com mais três jovens produto da formação profissional e são "das poucas empresas da Região com experiência internacional"- salienta. Isto, a trabalhar com partida do Pico.
"À primeira vista pode-se dizer que aquela medalha mudou a minha vida, que foi o momento chave do meu percurso, discordo. O dia em que optei pelo ensino profissional marcou a minha vida como trabalhador e como homem. A medalha foi um reconhecimento pela dedicação, trabalho árduo e persistência que tive durante o meu curso. Ter as melhores ferramentas e os melhores formadores não é o suficiente para atingirmos patamares de excelência", mas são vários os exemplos de que "a formação profissional resulta".
Os Açores são "campeões" da formação profissional, as prestações e resultados dos campeonatos nacionais e internacionais comprovam-no e reconhecem "o esforço e bom trabalho efectuado pelo governo regional"- sublinha.
Bernard Liétard, docente no Conservatório Nacional das Artes e Profissões da Universidade de Paris e de Genebra, sociólogo e universitário francês da área da Educação e Formação Profissional, falou sobre "A orientação Profissional e o Balanço de Competências", que assenta num "fio condutor".
À margem do encontro, o sociólogo avançou que iria fornecer um "modelo de orientação", para tentar saber se esta poderá ser um "fio condutor", para uma filosofia de vida, na qual o jovem aprende um "itinerário e qual o seu lugar no mundo do trabalho".
"A orientação também pode ser perigosa, pois estes podem tornar-se meros actores da orientação"- evidência, lembrando, por outro lado que o trabalho é um elemento importante da "identidade" dos jovens e este novo modelo de orientação deve ser "trabalhado em equipa, pois o trabalho em equipa aproxima as pessoas".
Autor de uma vasta obra publicada como resultado da investigação e da acção que tem desenvolvido, como Professor da Universidade René Descartes, de Paris, e do Conservatório Nacional das Artes e Profissões foi, também, durante cerca de 10 anos, responsável pela implementação dos Centros de Validação de Competências e dos Balanços de Competências, em França. O autor de um livro sobre formação profissional na colecção "Que sais-je" redigiu ainda o capítulo sobre validação de competências na obra de referência "Traité sur les Sciences et Téchniques de la formation profissionnelle", traduzida para português pelo Instituto Piaget.
Jean Luc Ferrand, docente e investigador no Conservatório Nacional das Artes e Profissões da Universidade de Paris, falou sobre "Políticas Regionais de Emprego e Qualificação Profissional".
À margem do evento, Jean Luc Ferrand afirma que a sua intervenção visa uma caracterização das políticas de emprego, e defende ainda a existência de uma "expansão muito forte" dos jovens do ensino profissional. Argumenta ainda ser contraditória a valorização das profissões.
Fernando Neves de Almeida, Mestre em Gestão de Empresas e presidente não executivo da Neves de Almeida Consultores, empresa de consultoria nas áreas de Recursos Humanos e Marketing Relacional e da Boyden-Global Executive Search, discursou sobre o "Fomento do Empreendedorismo".
O Terra Nostra falou ainda com alguns jovens que pensam seguir a via técnicoprofissional, todos eles alunos do 8º Ano da Escola Secundária das Laranjeiras, que marcaram presença no Fórum por meio de uma visita de estudo da escola.
Bárbara Pascoal diz estar a pensar tirar um curso técnicoprofissional, tendo vindo ao Fórum, para "procurar ideias para o meu futuro para saber o que quero ser", pois reconhece que com a sua idade pode ainda não ter bem a "noção" da carreira a seguir.
Avança estar a gostar "muito" do evento, acrescentando ser um acontecimento muito importante, porque "muitos jovens não sabem o seu caminho no futuro e este fórum dá-nos uma noção do que podemos ser" e para "preparar" para o futuro.
Manuel Requinha diz estar a pensar seguir Informática, por isso visitou o fórum para poder "saber mais sobre o curso". Diz que o Fórum é importante, para "esclarecer as dúvidas das pessoas". Além disso, os jovens estavam "mal informados" sobre os cursos existentes e "em que locais ficam".
Lúcia Coelho também está a pensar tirar m curso técnicoprofissional, desta vez Biologia Marinha. Defende que o Fórum é importante para se "conhecer melhor as profissões" existentes.
Rui também quer seguir Informática no ensino técnicoprofissional, dizendo ter ido ao Fórum para "ver os cursos que existiam, para pensar entrar em algum", evento que considera "bom" para que os jovens tenham conhecimento dos cursos que há em cada "freguesia".
Além do Fórum das Profissões, o governo açoriano lança no próximo dia 21 um Guia das Profissões, para distribuir pelos alunos do 9º ao 12º ano.
"Serão editados 10 mil exemplares do Guia que reúne todas as informações dos cursos a leccionar a partir de Setembro para que, entre Maio e Junho, os jovens possam escolher com conhecimento de causa", reforçou Rui Bettencourt.
O Fórum dispôs também de animação permanente garantida pelas várias escolas presentes e pelo Tunalhos, em horário pós-laboral.

Raquel Moreira
Public in Terra Nostra, Maio de 2008.





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