Paulo Neves O rosto do Modelo na Região
Qualidade, bem servir e simpatia são os segredos do negócio. Bem pode dizê-lo Paulo Neves, Director da cadeia Modelo nos Açores.
Açores Mundo - Nome completo?
Paulo Neves - Paulo Manuel Leite Sousa Neves.
AM- Fale-nos do seu percurso profissional e da sua experiência como Director dos estabelecimentos Modelo.
PN- Licenciei-me na Faculdade de Economia do Porto, onde também me iniciei no mercado de trabalho. Após cumprir o serviço militar vim para os Açores. Trabalhei no Tribunal de Contas, na Unileite e entrei para o Grupo Sousa Lima em 1991. Desde então açambarquei o projecto da grande distribuição e, actualmente, sou Director Geral da Insco Insular Hipermercados, o que tem sido uma experiência muito interessante. Estamos perante uma empresa muito dinâmica e em forte crescimento, que muda todos os dias e que se prepara para enfrentar o novo desafio que é satisfazer os clientes.É extremamente aliciante.
AM- Porque enveredou por esta área?
PN- Aconteceu por acaso. Quando comecei a trabalhar para o Grupo Sousa Lima não tinha muito a ideia da distribuição e acabou por funcionar como um teste. Trata-se de uma vertente comercial muito envolvente, que ou se gosta ou se detesta. E eu tive a sorte de gostar. De outra maneira é difícil continuar no ramo, porque os clientes mudam todos os dias e nós temos de acompanhá-los. O importante é surpreender sempre os clientes pela inovação, o que exige muito da nossa parte. Ao mesmo tempo, é um projecto muito cativante, em que vemos os resultados diariamente, podendo, com a mesma frequência, por em prática novos conceitos, soluções, projectos. O retorno é imediato e constante por parte dos clientes, o que por si só é motivante. Fiquei e gostei!
AM- São 6 Hiper Modelo nos Açores. A seu ver, quais as maiores diferenças entre eles? O tipo de clientes?
PN- Na ilha de São Miguel temos 3 superfícies. O Modelo de Ponta Delgada, que tem um formato diferente e é o maior de todos. São mais de 5000 metros quadrados de área de venda integrados num centro comercial, podendo assim ser visto como o que maior oferta tem na Região, o mais amplo, o que tem mais artigos e que serve em simultâneo o dia a dia dos clientes, mas dispõe também de uma oferta para compras mensais e extraordinárias.Os Modelos da Ribeira Grande e da Lagoa são de menor dimensão. Apesar de tudo, tentamos e conseguimos ter uma enorme variedade de produtos. Falamos de mais de 30 mil artigos referenciados, mas ambas as unidades apostam essencialmente num consumo diário e permanente. São duas superfícies mais independentes, visto não estarem integradas em centros comerciais, e tentam servir os mesmos clientes de uma forma diferente.
AM- E no resto do Arquipélago?
PN- O Grupo Central tem ao seu dispor três Modelos. Dois na ilha Terceira e um no Faial.O Modelo de Angra do Heroísmo (2500 metros quadrados) e o da Praia da Vitória (1500 metros quadrados) têm formatos ligeiramente diferentes um do outro.Ambos munidos de uma loja Modalfa e uma Worten são unidades muito interessantes que continuam a servir bem a população da ilha Terceira.No Modelo do Faial também fazemos um esforço permanente para servir bem os clientes da Horta e, eventualmente, também da ilha do Pico.
AM- Denota a existência de alguma concorrência interna?
PN- Sem dúvida. A nossa forma de estar na empresa implica alguma agressividade, o que fomenta assim uma certa competição interna.È evidente que há normas gerais para os Hipermercados e nós tentamos, mantendo um sistema informático adequado, que, na sua maioria, os preços sejam iguais em todas as superfícies. Claro que não podemos garanti-lo em pleno, pois é exigida uma grande autonomia de gestão às diversas unidades. Mas as vantagens que podemos dar aos nossos clientes, como a variedade de produtos, baixo preço, minimização do tempo de espera na linha de caixas e um bom atendimento, são características comuns a todas as nossas superfícies. Depois tentamos, através de uma grande competição, saber quem serve melhor os clientes.
AM- E em termos de segurança?
PN- Temos um sistema de segurança interno e uma pessoa responsável por esta área. Ainda no passado dia 11 de Novembro realizamos um simulacro no Modelo do Parque Atlântico. Também Já fizemos um simulacro no Modelo da Ribeira Grande antes da hora de abertura. Além disso, temos sistemas de segurança montados e vamos implementar um sistema que anualmente garanta que, com o público presente, façamos um simulacro forjando situações de incêndio, de sismo ou outra qualquer situação que possa suceder nos nossos hipermercados.
AM- Fale-nos das campanhas dos hipermercados Modelo, inclusive as de Natal.
PN- Os hipermercados Modelo têm campanhas permanentes e outras específicas para cada época do ano, sobretudo no Natal. Distribuímos folhetos de campanha, alguns até muito interessantes com brinquedos de Natal. Ainda no mês passado, realizamos uma campanha em que o cliente usufruía de um bónus de 50% em todos os brinquedos.Não esquecemos também as promoções dos artigos que mais se consomem no Natal, como os frutos secos, os ingredientes para a doçaria de Natal e Ano Novo.Dispomos ainda de promoções interessantes na área da Moda, que constitui para nós um universo muito agressivo. Além dos Modelos dispomos de algumas unidades de venda têxtil como a Modalfa nas três ilhas e a SportZone, RiverWoods, a Quebra-Mar e a Salsa em Ponta Delgada.
AM- Quanto a perspectivas de abrir mais Hipermercados Modelo noutras ilhas…
PN- O nosso estudo e análises de mercado são permanentes e realmente estamos perante nove ilhas de diferentes dimensões e velocidades económicas. É provável que em 2006 se verifique a abertura de um Hiper Modelo numa outra ilha, que não seja a de São Miguel, a Terceira ou o Faial.
“Temos de tentar todos os diassurpreender os clientes pela inovação(…) é um projecto muito cativante, em quevemos os resultados diariamente(…)”.
Raquel Moreira
Public in "Açores Mundo", Dez. 2005.
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
Carlos Martins vai representar os Açores no "Lisboa Dakar"
O Rallye “Lisboa Dakar” contará coma presença de Carlos Martins e de Nuno Rosado em representação da Região.Os esforços foram muitos, mas…vale sempre a pena concretizar um sonho!
AM- Nome Completo
CM- Carlos Alberto Rodrigues Martins de Medeiros.
AM- Como e quando surgiu a oportunidade de participar no “Lisboa Dakar”?
CM- A ideia já existe há cerca de dez anos. É um sonho, um desejo, uma quimera de querer participar numa prova Todo o Terreno, a mais importante do mundo. Julgo que é um desejo comum a todos aqueles que gostam de automobilismo e de Todo o Terreno. Em Janeiro de 2004 estava sentado na minha poltrona de pantufas e decidi que tinha chegado a hora. Era agora ou nunca! Comecei a trabalhar nesse sentido em diversas vertentes, nomeadamente num projecto de angariação de fundos e na própria concepção do projecto para saber até onde podia ir. E as coisas foram evoluindo.
AM- Como conseguiram angariar fundos para participar numa prova desta amplitude?
CM- Para além dos patrocínios que conseguíamos, realizamos também durante estes dois anos provas desportivas motorizadas, cujos lucros iam directamente para uma conta à parte destinada a este projecto. Foi uma possibilidade que se construiu aos poucos.
AM- Foi também responsável pela escolha da viatura e do co-piloto?
CM-Sim, pelo caminho foram várias as decisões, entre elas a da viatura a utilizar no Rallye. Optei por um Land Rover. Primeiro pela minha experiência com este automóvel, que tem sido boa. Além disso, a aquisição e preparação da viatura eram muito em conta.Quanto à pessoa que me iria acompanhar, a escolha, após ponderar várias hipóteses, recaiu sobre Nuno Rosado. Trata-se de um jovem praticante de Todo o Terreno de motos, que teve recentemente uma experiência a nível de África e que, para além das suas características pessoais e técnicas, inclusivamente até como navegador - porque já o provou, foi campeão Todo o Terreno Regional por três anos consecutivos - tem também qualidades de mecânico profissional, algo indispensável em situações desta dimensão.
AM- Como se tem desenrolado este projecto?CM- Relativamente bem, mas com muito trabalho e algumas dificuldades. Neste momento estamos já listados com o número 423, a dois terços da lista de partida.Na primeira semana de Dezembro estivemos em Lisboa nos últimos preparativos da viatura e para tratar de questões ligadas às licenças desportivas junto da Federação Portuguesa de Automobilismo e Kart. Agora é ter fé em Deus e esperar para ver o que acontece.
AM- De quanto foi o investimento?
CM- O investimento rondará os 76 ou 77 mil e 500 Euros considerando todas as despesas.
AM- Fale-nos mais um pouco sobre o “Lisboa Dakar”
CM- O “Lisboa Dakar” surgiu há mais de vinte anos. Começou em Paris, o mítico “Paris Dakar”, e já passou por várias cidades como Barcelona. Chegou a vez de Lisboa ganhar a candidatura e já tem a prova prevista até 2008.Estamos perante um Rallye raid, pois a velocidade é preponderante na classificação. E é também uma prova de resistência. São 9040 Kilómetros para fazer em pistas praticamente sem caminhos, em areias, dunas, pistas de pedra e, inclusivamente, em lama depois de passar Dakar, na Guiné.Esta prova testa não só a fiabilidade dos carros, como também a resistência dos pilotos, tanto a nível físico como psicológico. É um desafio à capacidade de cada um para ultrapassar esta barreira, que é realmente bastante grande. Isto, em condições que podem ir desde os 0º graus à noite a mais de 40º à sombra durante o dia.É para quem gosta e é preciso ter uma certa dose de loucura!
AM- Quais as expectativas?
CM- As expectativas são, pura e simplesmente, chegar ao fim. Não temos qualquer pretensão qualificativa, porque não temos experiência suficiente nem uma viatura rápida. É uma aventura que se concretiza uma vez na vida, – pelo menos espero que assim seja! - pois é a única maneira de limpar isto do meu “cadastro”, para evitar ficar mais dois anos a juntar dinheiro para repetir a experiência.A prova começa a 31 de Dezembro e termina a 15 de Janeiro. Mas neste último dia é já uma etapa pró-forma. Percorremos apenas 100 Kilómetros na praia no Senegal.É uma apoteose, o desfecho dos que lá conseguem chegar e eu espero lá chegar!
AM- Qual o percurso da prova?
CM- De Portugal vamos para Marrocos, Mauritânia, Mali, Senegal e Guiné. É a maior maratona que se faz no desporto automóvel no mundo. Depois de participar num Dakar resta-nos repeti-lo ou partir para outro género de aventura.
AM- É também professor de Educação Física e Director da Casa da Cultura de São Miguel. Como conjuga estas diferentes actividades?
CM- O Dakar é um projecto não profissional. Naturalmente que, para fazer face a esta disponibilidade de tempo meti férias. Em Janeiro estarei, eventualmente, ao abrigo do previsto em termos regionais de representação da Região e com despensa de Saúde.“Não temos qualquer pretensãoqualificativa (…)É para quem gosta e é preciso teruma certa dose de loucura ! ”
Raquel Moreira
Public in "Açores Mundo", Dez. 2005.
AM- Nome Completo
CM- Carlos Alberto Rodrigues Martins de Medeiros.
AM- Como e quando surgiu a oportunidade de participar no “Lisboa Dakar”?
CM- A ideia já existe há cerca de dez anos. É um sonho, um desejo, uma quimera de querer participar numa prova Todo o Terreno, a mais importante do mundo. Julgo que é um desejo comum a todos aqueles que gostam de automobilismo e de Todo o Terreno. Em Janeiro de 2004 estava sentado na minha poltrona de pantufas e decidi que tinha chegado a hora. Era agora ou nunca! Comecei a trabalhar nesse sentido em diversas vertentes, nomeadamente num projecto de angariação de fundos e na própria concepção do projecto para saber até onde podia ir. E as coisas foram evoluindo.
AM- Como conseguiram angariar fundos para participar numa prova desta amplitude?
CM- Para além dos patrocínios que conseguíamos, realizamos também durante estes dois anos provas desportivas motorizadas, cujos lucros iam directamente para uma conta à parte destinada a este projecto. Foi uma possibilidade que se construiu aos poucos.
AM- Foi também responsável pela escolha da viatura e do co-piloto?
CM-Sim, pelo caminho foram várias as decisões, entre elas a da viatura a utilizar no Rallye. Optei por um Land Rover. Primeiro pela minha experiência com este automóvel, que tem sido boa. Além disso, a aquisição e preparação da viatura eram muito em conta.Quanto à pessoa que me iria acompanhar, a escolha, após ponderar várias hipóteses, recaiu sobre Nuno Rosado. Trata-se de um jovem praticante de Todo o Terreno de motos, que teve recentemente uma experiência a nível de África e que, para além das suas características pessoais e técnicas, inclusivamente até como navegador - porque já o provou, foi campeão Todo o Terreno Regional por três anos consecutivos - tem também qualidades de mecânico profissional, algo indispensável em situações desta dimensão.
AM- Como se tem desenrolado este projecto?CM- Relativamente bem, mas com muito trabalho e algumas dificuldades. Neste momento estamos já listados com o número 423, a dois terços da lista de partida.Na primeira semana de Dezembro estivemos em Lisboa nos últimos preparativos da viatura e para tratar de questões ligadas às licenças desportivas junto da Federação Portuguesa de Automobilismo e Kart. Agora é ter fé em Deus e esperar para ver o que acontece.
AM- De quanto foi o investimento?
CM- O investimento rondará os 76 ou 77 mil e 500 Euros considerando todas as despesas.
AM- Fale-nos mais um pouco sobre o “Lisboa Dakar”
CM- O “Lisboa Dakar” surgiu há mais de vinte anos. Começou em Paris, o mítico “Paris Dakar”, e já passou por várias cidades como Barcelona. Chegou a vez de Lisboa ganhar a candidatura e já tem a prova prevista até 2008.Estamos perante um Rallye raid, pois a velocidade é preponderante na classificação. E é também uma prova de resistência. São 9040 Kilómetros para fazer em pistas praticamente sem caminhos, em areias, dunas, pistas de pedra e, inclusivamente, em lama depois de passar Dakar, na Guiné.Esta prova testa não só a fiabilidade dos carros, como também a resistência dos pilotos, tanto a nível físico como psicológico. É um desafio à capacidade de cada um para ultrapassar esta barreira, que é realmente bastante grande. Isto, em condições que podem ir desde os 0º graus à noite a mais de 40º à sombra durante o dia.É para quem gosta e é preciso ter uma certa dose de loucura!
AM- Quais as expectativas?
CM- As expectativas são, pura e simplesmente, chegar ao fim. Não temos qualquer pretensão qualificativa, porque não temos experiência suficiente nem uma viatura rápida. É uma aventura que se concretiza uma vez na vida, – pelo menos espero que assim seja! - pois é a única maneira de limpar isto do meu “cadastro”, para evitar ficar mais dois anos a juntar dinheiro para repetir a experiência.A prova começa a 31 de Dezembro e termina a 15 de Janeiro. Mas neste último dia é já uma etapa pró-forma. Percorremos apenas 100 Kilómetros na praia no Senegal.É uma apoteose, o desfecho dos que lá conseguem chegar e eu espero lá chegar!
AM- Qual o percurso da prova?
CM- De Portugal vamos para Marrocos, Mauritânia, Mali, Senegal e Guiné. É a maior maratona que se faz no desporto automóvel no mundo. Depois de participar num Dakar resta-nos repeti-lo ou partir para outro género de aventura.
AM- É também professor de Educação Física e Director da Casa da Cultura de São Miguel. Como conjuga estas diferentes actividades?
CM- O Dakar é um projecto não profissional. Naturalmente que, para fazer face a esta disponibilidade de tempo meti férias. Em Janeiro estarei, eventualmente, ao abrigo do previsto em termos regionais de representação da Região e com despensa de Saúde.“Não temos qualquer pretensãoqualificativa (…)É para quem gosta e é preciso teruma certa dose de loucura ! ”
Raquel Moreira
Public in "Açores Mundo", Dez. 2005.
Osvaldo Cabral é o Director de uma nova RTP-Açores
De emissões a preto e branco à variedade de programas a que assistimos hoje, a RTP-Açores percorreu um longo caminho.Falamos com Osvaldo Cabral, para saber quais os projectos da televisão regional!
AM- Nome completo
OC – Osvaldo José Vieira Cabral
AM- Fale-nos um pouco do seu percurso profissional.
OC- Sou jornalista há 25 anos. Comecei no jornal "A Voz popular" do Pico da Pedra, do qual fui fundador. Depois estive no "Correio dos Açores" e, finalmente, vim para a RTP-Açores. Trabalhei ainda como Correspondente da agência Reuters e do semanário "Expresso".
AM- Como surgiu a oportunidade de entrar para a RTP?
OC – Na altura eu era Director Adjunto do "Correio dos Açores", trabalhando lado a lado com o Dr. Jorge do Nascimento Cabral. Depois de, um ano antes, ter feito um concurso público para a admissão de jornalistas na TV, acabei por receber um convite do então Director da RTP-Açores Dr. Lopes de Araújo.
AM- Quais eram as suas funções na RTP e há quanto tempo ocupa o cargo de Director da televisão regional?
OC – Como se costuma dizer, comecei por baixo. Embora já tivesse experiência de direcção que obtive no"Correio dos Açores", as minhas primeiras funções na RTP-Açores foram como redactor de base, a trabalhar na Secretaria de Redacção, e depois como repórter de rua. Algum tempo depois, iniciei-me como apresentador do Telejornal, tarefa que desempenhei durante 6 anos.Finalmente, como Chefe de Redacção, comecei a ter o meu próprio programa. Desde então assumi sempre funções de chefia, sendo Subdirector na vigência do Dr. Ricardo Ferreira e do Dr. António Fragoso. Com a saída deste último para a RTP-Internacional, em Lisboa, o Conselho de Administração da RTP convidou-me a assumir o cargo de Director. E já lá vão cerca de dois anos!
AM- Como tem sido a experiência?
OC- Tem sido muito interessante, sobretudo ao nível de novos desafios.Claro que, no início, apenas dei continuidade ao trabalho desenvolvido pelas Direcções anteriores. Foram dois anos a analisar melhor a RTP a nível interno e toda a complexidade da actividade televisiva em todos os seus sectores. Só agora é que se poderá dizer com propriedade que a programação da RTP-Açores começa a ter, na totalidade, o meu cunho pessoal e as minhas orientações.É preciso não esquecer que estamos a falar de cerca de 120 trabalhadores, com mais de 5 milhões de euros ( 1 milhão de contos) em actividade, dispersos por Ponta delgada, Angra e Horta. Para além de 6 Correspondentes nas ilhas onde não possuímos Delegações, tudo isto abrangendo 4 Departamentos e vários Serviços.
AM- Como nasceu a RTP - Açores?
OC - A RTP-Açores nasceu a 10 de Agosto de 1975, mas de forma muito rudimentar e, a preto e branco. A própria emissão durava poucas horas e utilizava também poucas horas de produção própria, chegando mesmo a encerrar ás segundas feiras para descanso do pessoal.Foi, sem dúvida, um arranque pioneiro de uma equipa que fazia das tripas coração para levar todas as noites a emissão a casa das pessoas. Equipa esta, à qual os açorianos devem render uma justa homenagem. Claro que, 30 anos depois, muito mudou. Ainda não chegamos ao nível que desejamos, mas para lá caminhamos.
AM- O que nos pode dizer sobre a RTP - Açores de hoje?
OC - É justo reconhecer que a RTP-Açores está hoje muito diferente do que era há 30, 20, 10 ou 5 anos atrás. Foram introduzidas grandes alterações, em termos de qualidade e volume de produção própria, o que transforma a RTP-Açores num canal já com grande visibilidade regional, conforme nos indicam os estudos de opinião e as reacções do público.Em termos concretos, verificaram-se melhoramentos ao nível do aspecto gráfico e cenográfico, no estúdio, na programação, na produção regional e nos Correspondentes nas outras ilhas. A programação foi aberta ás produtoras externas, melhoramos a apresentação dos programas de informação, introduzimos mais dinamismo no programa da manhã, aumentamos a linguagem gestual, aligeiramos as nossas transmissões directas de todas as ilhas. Enfim, tudo somado faz com que, hoje, tenhamos mais de 45 por cento da nossa programação preenchida com produção regional, mais 10 por cento que no ano passado, e o recorde absoluto de produção própria.E tudo isto praticamente com os mesmos meios técnicos e humanos!...
AM- E a entrada deste canal para o cabo, provocou algum tipo de mudanças, nomeadamente no nível de exigência?
OC - Deve estar a referir-se ao cabo nacional. Por enquanto estamos apenas no cabo por satélite. Ou seja, só nos consumidores que têm cabo na antena parabólica. Não sabemos ainda quando é que a RTP-Açores vai entrar no cabo terrestre, apesar de ter sido anunciado que o prazo iria até ao primeiro trimestre.Naturalmente que quando estivermos no cabo terrestre, no Continente, teremos que introduzir algumas alterações, mas sem nunca esquecer que estamos a fazer televisão para os Açores e não para o Continente. É preciso lembrar que a RTP-Açores, apesar do seu crescimento, continua a ser uma televisão regional, com a dimensão dos Açores, não podendo ser comparada com as televisões nacionais.O mais interessante é que temos recebido excelentes reacções dos telespectadores do Continente que já nos vêem. Um deles, de Peniche, até participou no passatempo do Bom Dia e ganhou um telemóvel.
AM- Projectos para a RTP – Açores ?
OC - A RTP-Açores tem muitos projectos, a dificuldade está em executá-los com os poucos meios de que dispomos. No momento, o maior projecto de todos é, sem dúvida, a construção dos novos estúdios. Trata-se de uma promessa do Conselho de Administração da RTP e dos Governos, que julgamos poder ser cumprida nos próximos anos. Neste momento, estamos na fase de estudo da localização do novo edifício, que tanto pode passar por um novo espaço, como até ser incluído no próprio espaço da RDP em Ponta Delgada.Com estes novos estúdios, poderemos efectivamente ter uma verdadeira televisão regional, essencialmente com produção própria e com muito mais qualidade.Até lá vamos ter que nos esforçar para aguentar este ritmo de crescimento, introduzindo novos programas.Outro projecto é, já nesta Primavera, refrescar a programação com outros programas, nomeadamente um sobre educação sexual, outro sobre a História dos Açores, um concurso juvenil, a descoberta de novos talentos musicais, um magazine popular e muitos programas produzidos nas diversas ilhas. A RTP-Açores passou a dispor de um equipamento de satélite móvel, que nos permite efectuar transmissões directas de qualquer ponto dos Açores sem recorrer à Portugal Telecom sem feixes, sem fibra óptica. É um equipamento que vamos tentar rentabilizar, fazendo-o circular pelas várias ilhas.Só assim se cumpre a verdadeira missão da RTP-Açores como televisão regional e como serviço público exclusivamente dedicado à população dos Açores.Não é fácil, porque cada açoriano tem um gosto próprio sobre como gostaria que fosse a sua televisão, por isso o desafio é aliciante.“comecei por baixo. Embora já tivesse experiênciade direcção (…) as minhas primeiras funções na RTP-Açores foram como redactor de base (…)”
Raquel Moreira
Public in "Atlantida Magazine", Março 2006.
Rita Bonança desvenda-nos os segredos dos mais pequenos!
Ciúmes, “birras” e, por vezes, vocabulário menos adequado preênchem o dia-a-dia dos que cuidam do futuro deste planeta. Segundo Rita Bonança, a solução reside no diálogo e na compreensão!
AM – Nome Completo?
RB – Rita Margarida Carvalho Simas Bonança.
AM- O que a levou a seguir esta carreira?RB- Sempre gostei muito de crianças! Além disso, senti necessidade de me envolver com os mais novos. Sinto-me bem com eles até mais do que com os adultos. No fundo, as crianças é que são espontâneas, pois não estão tão estereotipadas. E é também uma maneira de, de alguma forma, tentar melhorar o mundo deles.
AM – Que comentários faz às crianças de hoje?
RB - Antes das crianças, penso que devemos falar dos pais, porque a educação inicia-se fundamentalmente no meio familiar e, muito do que a criança é hoje é um espelho da infância dos próprios progenitores, desde tenra idade, e da própria gravidez. Se esta foi planeada, aceite, assistida, calma e tranquila.O próprio comportamento da criança depende muito da atenção e carinho dispensados e das regras e costumes estabelecidos em casa. As escolas e creches não são os únicos agentes de educação. Temos também que ter em conta a família, a sociedade e todo o meio envolvente. Só assim a criança poderá ser, no futuro, uma pessoa autónoma capaz de exprimir os seus sentimentos, capacidades e motivações. Ela tem que sentir que existe um mínimo de regras para se sentir motivada, tendo em conta todos os conhecimentos que já adquiriu.
AM - O que se deve ou não fazer perante o uso de linguagem menos adequada?
RB- É frequente as crianças entre os 3 e os 5 anos usarem as chamadas “palavras feias” para chamar a atenção e desafiar a autoridade dos adultos, ou apenas para se armarem em engraçadas. Muitas vezes a criança ouve este tipo de linguagem na rua e em casa repete-a, não tendo o mínimo de consciência do que está a dizer. Mas também pode acontecer serem os irmãos mais velhos a usarem certos vocábulos menos adequados e aí a criança já começa a ter uma certa consciência. Além disso, torna-se necessário descobrir o motivo que a leva a ter este comportamento, porque só assim poderemos escolher a melhor forma de lidar com a situação. Perante estas situações, os pais, educadores e professores devem, tendo em atenção a idade do menor, explicar da melhor maneira que há certas palavras que não se devem utilizar. Outro factor importante no meio deste contexto é a sua reacção. Se não reagir aos “palavrões”, a criança provavelmente desistirá de os dizer, pois percebeu que não lhe consegue atingir. É igualmente importante elogiar a criança no caso de se aperceber que esta não utiliza este tipo de linguagem, tentando sempre verificar o que poderá estar a influenciar o seu vocabulário.
AM - Na sua opinião, como se deve lidar com as “birras” e teimosias próprias destas idades?
RB- A maioria das crianças entre os 2 e 5 anos faz birras de variados graus. Algumas podem ser prevenidas com preparação e cuidados, mas outras são inevitáveis. O importante é reconhecer o tipo de birra e com que frequência estas acontecem. Sim, pois o seu filho (a) pode já ter a noção de utilizar a birra como um meio de manipulação.Quando a criança está cansada, excitada e com fome pode sentir-se frustrada e explode. Mas esta pode também tentar manipular alguém para obter o que quer, gritando e batendo com os pés no chão. Depois de avaliar a situação, deverá alertá-la e fazê-la compreender que o seu comportamento não foi o mais correcto. Mas, às vezes, o melhor é ignorar a birra e a criança acabará por desistir. Trata-se de uma técnica que vale a pena tentar. Pode também expressar alguma empatia, sentando-se perto dela e sussurrando-lhe palavras calmas ao ouvido, até que esta se sinta melhor.
AM - É defensora de uma boa palmada na hora certa ou considera esta uma atitude anti pedagógica?RB- Como educadora, considero a palmada ou qualquer outra coisa que apele à violência como soluções anti-pedagógicas, que não se devem aplicar em situação alguma. Claro que, tal como os progenitores, o nosso trabalho é zelar pelo bem-estar da criança e estes devem confiar em nós. No caso de surgirem problemas em alguma instituição, os pais são chamados e alertados sobre o sucedido. Sim, pois o nosso objectivo é avaliar a situação da melhor maneira, se necessário com a ajuda de agentes especializados, para que a criança possa efectivamente alterar um pouco os seus hábitos e comportamentos.
AM - E a noção de “castigo”, em que idade é apreendida pelas crianças?
RB- É muito difícil precisar em que idade a criança entende o que é um castigo, pois cada caso é um caso. Mas esta apercebe-se de algo desde pequena, pois tem sensibilidade para isso. O castigo é uma consequência que causa na criança dor, humilhação e sofrimento. Esta é uma das razões que faz com que seja mais apologista de explicar porque é que certo comportamento é errado, não devendo ser repetido. Além disso, o termo por si só, já conduz a sentimentos de vingança e não de arrependimento. No caso de não resultar, podemos também estabelecer uma espécie de contrato e discutir a situação, fazendo com ela mesma reconheça que agiu mal, porque as crianças são muito rigorosas e exigentes consigo próprias neste aspecto e cumprem à risca o castigo em causa. Talvez por isso estejamos perante uma táctica que resulta quase sempre.
AM- O que nos pode dizer sobre o ciúme de um novo irmão?
RB- Todas as crianças desejam ser sempre o centro das atenções, o que faz com que, frequen temente, os filhos mais velhos reajam mal à chegada de um novo irmão. Quando isso acontece devemos dar-lhe também muita atenção, segurança e fundamentalmente incutir-lhe o sentido de responsabilidade, pedindo-lhe ajuda em pequenas tarefas, nas quais estes tratam do membro mais novo da família. Sem cair no erro de lhe fazer pedidos constantes, esta é uma boa maneira da criança se sentir útil e de adquirir auto-controle. Outro aspecto essencial é fazer com que a criança compreenda que o seu irmão nunca poderá tomar o seu lugar.
AM - E quanto às creches e jardins de infância, o que nos pode dizer sobre as condições que estes oferecem e quanto à sua legitimidade?
RB- Sei da existência de creches e jardins de infância com óptimas condições a nível de instalações, de espaço físico e com recursos humanos excelentes, mas também tenho conhecimento de que algumas creches não obedecem a alguns requisitos de segurança, nomeadamente quanto ao espaço físico, por criança, por metro quadrado. Estes serviços deveriam funcionar num único piso, pois muitas vezes as crianças em idade de creche encontram-se instaladas no primeiro andar e muitas delas não sabem andar, o que não seria muito benéfico na ocorrência de alguma catástrofe natural ou outra qualquer situação de perigo. Outros dois factores fundamentais são a existência de um espaço físico exterior, no qual as crianças possam exprimir os seus sentimentos e conviver umas com as outras, e casas de banho para crianças com necessidades educativas especiais. Cada sala deveria também dispor de uma educadora. O que nem sempre isso acontece, muitas vezes por motivos de ordem financeira, sendo estas substituídas por técnicas auxiliares.
AM- Que conselhos dá a quem queira seguir esta profissão?
RB- Uma pessoa para enveredar por esta carreira tem de gostar muito. Costumo dizer que não existem educadores perfeitos e se os há, não são educadores. A educação não parte de receitas nem de protocolos, mas sim da espontaneidade, atenção e bom senso. Cada criança é um caso e deve haver uma equipa consistente de educadores e psicólogos, que trabalhem em conjunto com os pais para avaliarem da melhor maneira os problemas que possam surgir.“(…) não existem educadores perfeitose se os há, não são educadores. A educação não parte de receitas nem de protocolos,mas sim da espontaneidade, atenção e bom senso”.
Ficha Técnica: Rita Bonança
Nascida em Ponta Delgada, a 15 de Julho de 1977, Rita Bonança formou-se na Escola Superior de Educação Almeida Garret, em Lisboa. Após o curso estagiou ainda no Colégio Manuel Bernardes e no Real Colégio de Portugal, dois estabelecimentos de grande prestígio na capital. Tendo concluído o curso em 2002, esta fã dos mais pequenos regressou à sua terra natal e iniciou a sua carreira no Centro Social e Paroquial de São Pedro, onde, logo no primeiro ano, ficou responsável pela coordenação pedagógica de três salas, perfazendo um total de 45 crianças com menos de dois anos. Depois de leccionar no “Ninho”, no Cabouco, esta optou por deixar as IPSS e enveredar pelo ensino público, pois, a seu ver, oferecia melhores condições de trabalho.Passando ainda pela Escola EB1/JI de Santa Clara, Rita Bonança encontra-se actualmente colocada na Escola Manuel Inácio Sousa na freguesia da Salga, Nordeste.Para além da sua actividade profissional, esta colabora também com a revista mensal “Educadores de Infância”, desde Setembro de 2004.LEGISLAÇÃOAlgumas normas essenciais- “ Os espaços destinados às crianças deverão desenvolver-se em piso térreo”.- É indispensável a existência de “ espaços de jogo ao ar livre”.- As salas de actividades devem ter “de 40 a 50 metros quadrados”, devendo ser ocupada por “20 a 25 crianças”, sendo a área por criança de “2 metros quadrados”.- As instalações sanitárias deverão ter “pelo menos 1 sanita com apoios para as crianças com dificuldades de locomoção”.Despacho conjunto nº 268/97 de 25 de Agosto.
Raquel Moreira
Public "Açores Mundo", Janeiro 2006.
AM – Nome Completo?
RB – Rita Margarida Carvalho Simas Bonança.
AM- O que a levou a seguir esta carreira?RB- Sempre gostei muito de crianças! Além disso, senti necessidade de me envolver com os mais novos. Sinto-me bem com eles até mais do que com os adultos. No fundo, as crianças é que são espontâneas, pois não estão tão estereotipadas. E é também uma maneira de, de alguma forma, tentar melhorar o mundo deles.
AM – Que comentários faz às crianças de hoje?
RB - Antes das crianças, penso que devemos falar dos pais, porque a educação inicia-se fundamentalmente no meio familiar e, muito do que a criança é hoje é um espelho da infância dos próprios progenitores, desde tenra idade, e da própria gravidez. Se esta foi planeada, aceite, assistida, calma e tranquila.O próprio comportamento da criança depende muito da atenção e carinho dispensados e das regras e costumes estabelecidos em casa. As escolas e creches não são os únicos agentes de educação. Temos também que ter em conta a família, a sociedade e todo o meio envolvente. Só assim a criança poderá ser, no futuro, uma pessoa autónoma capaz de exprimir os seus sentimentos, capacidades e motivações. Ela tem que sentir que existe um mínimo de regras para se sentir motivada, tendo em conta todos os conhecimentos que já adquiriu.
AM - O que se deve ou não fazer perante o uso de linguagem menos adequada?
RB- É frequente as crianças entre os 3 e os 5 anos usarem as chamadas “palavras feias” para chamar a atenção e desafiar a autoridade dos adultos, ou apenas para se armarem em engraçadas. Muitas vezes a criança ouve este tipo de linguagem na rua e em casa repete-a, não tendo o mínimo de consciência do que está a dizer. Mas também pode acontecer serem os irmãos mais velhos a usarem certos vocábulos menos adequados e aí a criança já começa a ter uma certa consciência. Além disso, torna-se necessário descobrir o motivo que a leva a ter este comportamento, porque só assim poderemos escolher a melhor forma de lidar com a situação. Perante estas situações, os pais, educadores e professores devem, tendo em atenção a idade do menor, explicar da melhor maneira que há certas palavras que não se devem utilizar. Outro factor importante no meio deste contexto é a sua reacção. Se não reagir aos “palavrões”, a criança provavelmente desistirá de os dizer, pois percebeu que não lhe consegue atingir. É igualmente importante elogiar a criança no caso de se aperceber que esta não utiliza este tipo de linguagem, tentando sempre verificar o que poderá estar a influenciar o seu vocabulário.
AM - Na sua opinião, como se deve lidar com as “birras” e teimosias próprias destas idades?
RB- A maioria das crianças entre os 2 e 5 anos faz birras de variados graus. Algumas podem ser prevenidas com preparação e cuidados, mas outras são inevitáveis. O importante é reconhecer o tipo de birra e com que frequência estas acontecem. Sim, pois o seu filho (a) pode já ter a noção de utilizar a birra como um meio de manipulação.Quando a criança está cansada, excitada e com fome pode sentir-se frustrada e explode. Mas esta pode também tentar manipular alguém para obter o que quer, gritando e batendo com os pés no chão. Depois de avaliar a situação, deverá alertá-la e fazê-la compreender que o seu comportamento não foi o mais correcto. Mas, às vezes, o melhor é ignorar a birra e a criança acabará por desistir. Trata-se de uma técnica que vale a pena tentar. Pode também expressar alguma empatia, sentando-se perto dela e sussurrando-lhe palavras calmas ao ouvido, até que esta se sinta melhor.
AM - É defensora de uma boa palmada na hora certa ou considera esta uma atitude anti pedagógica?RB- Como educadora, considero a palmada ou qualquer outra coisa que apele à violência como soluções anti-pedagógicas, que não se devem aplicar em situação alguma. Claro que, tal como os progenitores, o nosso trabalho é zelar pelo bem-estar da criança e estes devem confiar em nós. No caso de surgirem problemas em alguma instituição, os pais são chamados e alertados sobre o sucedido. Sim, pois o nosso objectivo é avaliar a situação da melhor maneira, se necessário com a ajuda de agentes especializados, para que a criança possa efectivamente alterar um pouco os seus hábitos e comportamentos.
AM - E a noção de “castigo”, em que idade é apreendida pelas crianças?
RB- É muito difícil precisar em que idade a criança entende o que é um castigo, pois cada caso é um caso. Mas esta apercebe-se de algo desde pequena, pois tem sensibilidade para isso. O castigo é uma consequência que causa na criança dor, humilhação e sofrimento. Esta é uma das razões que faz com que seja mais apologista de explicar porque é que certo comportamento é errado, não devendo ser repetido. Além disso, o termo por si só, já conduz a sentimentos de vingança e não de arrependimento. No caso de não resultar, podemos também estabelecer uma espécie de contrato e discutir a situação, fazendo com ela mesma reconheça que agiu mal, porque as crianças são muito rigorosas e exigentes consigo próprias neste aspecto e cumprem à risca o castigo em causa. Talvez por isso estejamos perante uma táctica que resulta quase sempre.
AM- O que nos pode dizer sobre o ciúme de um novo irmão?
RB- Todas as crianças desejam ser sempre o centro das atenções, o que faz com que, frequen temente, os filhos mais velhos reajam mal à chegada de um novo irmão. Quando isso acontece devemos dar-lhe também muita atenção, segurança e fundamentalmente incutir-lhe o sentido de responsabilidade, pedindo-lhe ajuda em pequenas tarefas, nas quais estes tratam do membro mais novo da família. Sem cair no erro de lhe fazer pedidos constantes, esta é uma boa maneira da criança se sentir útil e de adquirir auto-controle. Outro aspecto essencial é fazer com que a criança compreenda que o seu irmão nunca poderá tomar o seu lugar.
AM - E quanto às creches e jardins de infância, o que nos pode dizer sobre as condições que estes oferecem e quanto à sua legitimidade?
RB- Sei da existência de creches e jardins de infância com óptimas condições a nível de instalações, de espaço físico e com recursos humanos excelentes, mas também tenho conhecimento de que algumas creches não obedecem a alguns requisitos de segurança, nomeadamente quanto ao espaço físico, por criança, por metro quadrado. Estes serviços deveriam funcionar num único piso, pois muitas vezes as crianças em idade de creche encontram-se instaladas no primeiro andar e muitas delas não sabem andar, o que não seria muito benéfico na ocorrência de alguma catástrofe natural ou outra qualquer situação de perigo. Outros dois factores fundamentais são a existência de um espaço físico exterior, no qual as crianças possam exprimir os seus sentimentos e conviver umas com as outras, e casas de banho para crianças com necessidades educativas especiais. Cada sala deveria também dispor de uma educadora. O que nem sempre isso acontece, muitas vezes por motivos de ordem financeira, sendo estas substituídas por técnicas auxiliares.
AM- Que conselhos dá a quem queira seguir esta profissão?
RB- Uma pessoa para enveredar por esta carreira tem de gostar muito. Costumo dizer que não existem educadores perfeitos e se os há, não são educadores. A educação não parte de receitas nem de protocolos, mas sim da espontaneidade, atenção e bom senso. Cada criança é um caso e deve haver uma equipa consistente de educadores e psicólogos, que trabalhem em conjunto com os pais para avaliarem da melhor maneira os problemas que possam surgir.“(…) não existem educadores perfeitose se os há, não são educadores. A educação não parte de receitas nem de protocolos,mas sim da espontaneidade, atenção e bom senso”.
Ficha Técnica: Rita Bonança
Nascida em Ponta Delgada, a 15 de Julho de 1977, Rita Bonança formou-se na Escola Superior de Educação Almeida Garret, em Lisboa. Após o curso estagiou ainda no Colégio Manuel Bernardes e no Real Colégio de Portugal, dois estabelecimentos de grande prestígio na capital. Tendo concluído o curso em 2002, esta fã dos mais pequenos regressou à sua terra natal e iniciou a sua carreira no Centro Social e Paroquial de São Pedro, onde, logo no primeiro ano, ficou responsável pela coordenação pedagógica de três salas, perfazendo um total de 45 crianças com menos de dois anos. Depois de leccionar no “Ninho”, no Cabouco, esta optou por deixar as IPSS e enveredar pelo ensino público, pois, a seu ver, oferecia melhores condições de trabalho.Passando ainda pela Escola EB1/JI de Santa Clara, Rita Bonança encontra-se actualmente colocada na Escola Manuel Inácio Sousa na freguesia da Salga, Nordeste.Para além da sua actividade profissional, esta colabora também com a revista mensal “Educadores de Infância”, desde Setembro de 2004.LEGISLAÇÃOAlgumas normas essenciais- “ Os espaços destinados às crianças deverão desenvolver-se em piso térreo”.- É indispensável a existência de “ espaços de jogo ao ar livre”.- As salas de actividades devem ter “de 40 a 50 metros quadrados”, devendo ser ocupada por “20 a 25 crianças”, sendo a área por criança de “2 metros quadrados”.- As instalações sanitárias deverão ter “pelo menos 1 sanita com apoios para as crianças com dificuldades de locomoção”.Despacho conjunto nº 268/97 de 25 de Agosto.
Raquel Moreira
Public "Açores Mundo", Janeiro 2006.
Sempre tive um carinho especial pela noite de Natal!
As cores, vestes, padrões e tamanhos são variados. Mas, como se costuma dizer,todos os caminhos vão dar a Roma.Neste caso, a Belém! Falamos de Ana Maria Viveiros que dispõede uma colecção de, imaginem, mais de 100 anjinhos e meninos Jesus! E o objectivo é continuar...
AM- Nome completo?
AV- Ana Maria Neto Viveiros
AM- Como surgiu a ideia de coleccionar Meninos Jesus?
AV- Tudo começou há cerca de vinte e cinco anos, mais ou menos em 1980-81, com uma imagem de família, que já vem do tempo dos meus avós e padrinhos. Sempre tive um carinho muito especial pela noite do Natal, que, para mim, é tudo o que de há de mais bonito. Sou assim desde pequena, talvez fosse pelos brinquedos ou, porque a minha mãe dava sempre muito relevo a esta data. E os meninos Jesus, para mim, são a noite de Natal.A certa altura, vi-me com quatro ou cinco meninos Jesus e foi este o primeiro grupinho. Toda a colecção é fruto da minha procura em todo o lado por onde passo, ou de amigos que até em viajem se lembram de mim e trazem-me exemplares das localidades por onde passam.
AM- No momento dispõe de quantos exemplares?
AV- Tenho à volta de 130 Meninos Jesus e cerca de 150 anjos, pois estão ambos relacionados.
AM- Alguns provém de outros países. Quais?
AV- México, Espanha, Angola, Polónia, Praga e Norte de África… e já aí vão uns tantos.
AM- Falou há pouco também na Casa dos Espíritos. De que se trata?
AV- A Casa dos Espíritos é uma recordação da minha viagem à Tailândia. Todas as pessoas têm à saída da sua casa um pequeno monumento, de cimento ou de madeira, para alimentar os espíritos, no qual deixam ovos cosidos e chá, para que quando o espírito vier tenha aquilo a que está habituado.Estavam em festa, a celebração de uma grande efeméride, feita a uma antiga Imperatriz, e havia fotos da senhora por toda a parte. Até no Aeroporto tinham dedicado um local enorme a esta figura. Era uma alegoria à dita senhora, que tinha ajudado muito o povo tailandês e trabalhado em inúmeras obras de beneficência.Ela fazia muita malha, e incutia isso nas pessoas, com o intuito de ajudar as crianças, o que fez com que até as agulhas e várias lãs estivessem lá representadas para quando esta viesse. Achei uma história muito interessante e resolvi trazer uma, porque é algo realmente muito bonito - como tudo na Tailândia. Os próprios gestos do povo, as danças e a maneira como nos cumprimentam sempre com um sorriso. É uma maravilha! Trouxe um pouco da alma da Tailândia, que é, para mim, uma companhia muito grande.
AM- Há algum menino Jesus de que goste especialmente ou que tenha sido mais difícil de conseguir?
AV- Não tenho nenhum que tenha sido particularmente difícil de conseguir. Gostava, sim, de obter mais exemplares. Por exemplo da Rússia, mas ainda não foi possível. O menino Jesus que deu origem a tudo isto e que me deu a ideia da colecção que me acompanha nos dias de Natal, é uma imagem de família. Coloco-a habitualmente num trono de ervilhaca, pois já vem do tempo da minha mãe e dos meus avós.
AM- Pensa continuar a colecção? Até quantos exemplares?
AV- Sem dúvida! Pretendo continuar a colecção até estar viva. Afeiçoei-me a eles! Normalmente tenho-os comigo de Dezembro a Fevereiro e guardo-os no dia das estrelas. Além disso, alguns dos berços foram feitos com vestidos e pérolas dos baptizados das minhas netas e tenho outros feitos em taças de champanhe.Este menino, que é o maior do mundo, tem direito a tudo o que há de bom e de melhor do que nós temos, pois esta seria a sua infância!
AM- Tem outras colecções?
AV- Não, Não. Só alguns pratinhos e jarrinhas, mas não são significativos.Tenho também umas redomas feitas de flores de açúcar. A ideia surgiu com um livro de receitas que os meus sogros me trouxeram há muitos anos do Brasil. Trata-se de um tipo de massa que serve para bolos e que imita a porcelana. O material é muito trabalhado, mas depois não se estraga. É algo que faço para a família e amigos e que não pode ser comercializado, pois o processo é moroso. Vou guardando as flores dos bolos, pinto-as com verniz e faço as redomas. Algumas delas têm à volta de 20 anos.“Tudo começou há cerca de vinte e cinco anos, mais ou menos em 1980-81. Sempre tive um carinho muito especial pela noite do Natal (…)”
Raquel Moreira
Public, Dez. 2005 "Açores Mundo".
(In)Fidelidades
"Estou desconfiada que ele tem outra" ou, "não tenho nada de concreto, mas quero ver até onde ele vai", são normalmente as primeiras frases ditas por quem pretende testar a (in) fidelidade do seu parceiro amoroso! Caro leitor, ouviu (neste caso, leu) bem, sim senhor! A palavra confiança há muito que tem os dias contados. Se é que ainda não morreu, mas o corpo não foi encontrado! Não deixo de lhes dar, ou não, razão, pois realmente as fidelidades têm sido poucas ou nenhumas - é a palavra mais apropriada! A questão que se coloca é outra! A veracidade, ou não, de tudo isto!Partindo do princípio de que é tudo verdade, digam-me até que ponto um indivíduo é capaz de se dirigir a um canal de televisão- seja ele qual for- e dar a entender, possivelmente a todo o país, que talvez esteja a ser...- cuidado com a linguagem- "empalitado"! Sim, porque todos ficam a saber! Não é que isto seja um crime, pelo contrário. Crime é o que o parceiro lhe apronta "à grande e à francesa", sem sonhar sequer que tudo não passa de uma farsa forjada pelo companheiro(a), num ataque de insegurança ou de falta de auto-estima, para ver se este tem feito o "tranbalho de casa direitinho", como dizem os brasileiros. Por outro lado, imaginem uma situação. Um membro do casal faz o teste de fidelidade ao outro, mas nada acontece. o "testado" porta-se lindamente e farta-se de elogiar a sua cara-metade, que acaba por se sentir tão mal que nem coragem tem de lhe aparecer à frente. Segundo me consta, isso nunca aconteceu, mas nada é impossível! Agora digam-me: que moral tem a pessoa que quis fazer o teste de para que o outro lhe perdoe? Nenhuma! Sim, porque a pessoa em questão pode muito bem não admitir que desconfiem da sua palavra. E esta, hem?- como dizia o nosso querido e famoso Fernando Pessa (Deus o tenha)! Onde já se viu testar a fidelidade de alguém? Assim sendo, outra questão se põe: o que levará a pessoa a querer testar a outra? Será para saber se esta é capaz de fazer o que ela mesma já fez e não teve coragem de contar? Sejamos sinceros. Salvo no caso de grandes desconfianças ou do parceiro ter um passado duvidoso, quem está tão preocupado com a fidelidade do outro é porque também não é nenhum "santinho". O itenerário é sempre o mesmo. Tendo desconfianças ou não, a pessoa quer testar a outra, e nada mais fácil do que fazê-lo através de uma proposta de de trabalho. Com a crise em que vivemos! Imagine que é segurança e, ao dizer que costuma cobrar 75 euros ao dia é lhe apresentada uma proposta de 150 euros, por exemplo. Quem diria que não? Ainda não conheci ninguém! Apesar de se saber que, quando a esmola é grande o santo desconfia, a verdade é que, desconfiando ou não, as pessoas preferem e imaginam logo as notinhas outrora verdes à sua frente. E quem somos nós para criticar, nao é? Depois, a pergunta da praxe. Como está o relacionamento, pergunta á qual é raríssimo uma pessoa responder que é tudo um "mar de rosas". Todos sabemos que que a realidade é bem diferente. Infelizmente, qualquer relacionamento tem os seus pontos fracos. Aliás, como tudo na vida. No final, os namoros e casamentos acabam todos. Ou quem sabe, se for o caso, "primeiro atravessamos o Atlântico, gozamos a nossa viagem com tudo pago"- apesar da companhia, diga-se de passagem! -" eacabamos depois, que te parece?". Sim, porque, verdade seja dita, o que não falta por aí são pessoas capazes de aturar o(a) ex-traidor(a) para conhecerem um outro continente, ainda por cima grátis!Tenham santa paciência, meus amigos. É muita "tanga"- passe o termo para uma pessoa só! Além de que ninguém estaria disposto a ser exibido, no grande ecrã, a nível nacional- e não só- em roupa interior, traindo o(a) parceiro(a), em risco de ambas as famílias tomarem conhecimento confortávelmente sentadas no sofá. Que vergonha tanto para o - passe o termo novamente- "empalitador" como para o "empalitado"!Até que ponto isso poderia acontecer - a filmagem e respectiva exibição - sem que o apanhado tivesse conhecimento? Invasão da Privacidade, estas palavras dizem-lhe alguma coisa? Pois é, caros senhores e senhoras da nossa Praça, as indemnizações seriam tão chorudas a pontos de o calnal fechar as portas por período indeterminado!O mais lógico, na minha humilde opinião, é estarmos perante um grupo de actores do princípio ao fim! Uma gargalhada pegada? Lá isso acontece! Verdade ou não? Não sei, o que importa é que rir é a palavra-chave ao assistir a este género de programas. Este é um dos melhores remédios- e sabe bem!- que se podem tomar.Até há quem diga que evita doenças e prolonga a vida. Então, assim seja, se vivermos mais uns aninhos á conta de uns "empalitados" e de uns "empalitadores", tanto melhor!
Raquel Moreira
Public in "Açoriano Oriental", 2005.
FEEDBACK'S
Mais um dia de trabalho! Em frente à secretária a teclar no computador as rubricas habituais de um jornal diário. Toca o telefone e, muito admirada, apercebo-me que pediam para falar comigo. Alguém se lembrou de me surpreender pela positiva logo pela manhã! Ao que parece, tinha gostado e concordado com uma peça escrita há pouco tempo atrás e, pretendia felicitar-me pela ocorrência convidando-me ainda para uma troca de impressões sobre o conteúdo da mesma. Convite, que aceitei com imenso prazer. Sim, porque nada melhor em qualquer profissão, do que vermos o nosso trabalho reconhecido, o nosso esforço compensado. Assim, tenho a certezinha absoluta, quie houve pelo menos um "eu", a ler o meu trabalho. Modéstia à parte, um "eu" que lhe deu a devida atenção. Aí, entra o bichinho da auto-realização. Houve feedback, houve retorno e é precisamente este um dos objectivos do jornalismo. Escrever, escrever para niniguém ler... não. Obviamente, o interesse é que a peça publicada sirva para algo mais concreto, do que ficar o resto da semana como "sardinha em lata", empilhada nummonte de jornais que, provavelmente, irá para o lixo depois de feitas as palavras cruzadas. Não digo, que não haja um caso ou outro, no qual os mesmos não sejam religiosamente guardados, mas... Admitamos, que é raro!Ah! Não me lembrava. O jornal pode ainda ter outra finalidade. Numa casa de estudantes, quantasvezes a publicação não serviu para emalar os caixotes com petiscos da "terra natal", que os meninos recebem das mamães? Ou um casal que viaja muito e, que aproveita estes pequenos "poços de cultura" ambulantes, para embrulhar as caixas de ananases ou os frascos de doce de amora, que levarão de oferta aos amigos.Até já imagino os comentários: "O que achas? Vamos levar-lhes uns ananases, uma massinha sovada... que eles gostam muito". E lá se encaminham, num caso e noutro, para a fila do Aeroporto cheios de bagagem e esperando encontrar alguém conhecido para poderem dividi-la.Assim, podemos concluir que estes nossos "amiguinhos" para além de didácticos e informativos, muitas veses têm literalmente a função de "papel de embrulho". Resta-nos festejar quando tal não acontece.
Raquel Moreira
Public in "Diário dos Açores".
Subscrever:
Mensagens (Atom)
